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Explosão em silos: em vez de apostar na sorte, é melhor investir em prevenção

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Risco de explosão em silos (Foto Pixabay)

 

Uma explosão de um silo numa cooperativa agrícola em Capão Bonito, em São Paulo, em 2009, provocou a morte de uma pessoa. Na tragédia, o trabalhador foi soterrado pelos grãos. Em 2011, um silo de armazenamento de grãos da empresa Marasca Comércio de Cereais explodiu de forma violenta, na cidade de Júlio de Castilhos, Rio Grande do Sul. Mais recentemente, em junho do ano passado, uma explosão no fosso de um silo de grãos da empresa Cocamar, em Cambé, deixou três feridos.

Relembro apenas três ocorrências em unidades armazenadoras de grãos para trazer à tona os riscos de explosão na indústria do agronegócio. É preciso que se diga, a poeira dos grãos é volátil e perigosa. Para a grande maioria das pessoas é incompreensível que os cereais armazenados sejam a causa de tragédias explosivas. A pergunta recorrente é: por que os cereais estocados levam às explosões? Num silo de cerais há habitualmente muita poeira. Esse pó é tão inflamável quanto os gases, vapores e líquidos combustíveis.

O ciclo de serviços num silo inclui o recebimento dos grãos, a limpeza, a secagem, o armazenamento e a expedição do produto. Em geral, uma unidade de armazenamento é dividida em três partes: moega, silo-pulmão e silos armazenadores. A poeira acumulada e em suspensão quando está na presença de uma fonte de ignição, com energia suficiente para uma primeira deflagração, pode causar explosão. Explico ainda: uma superfície de poeira de grãos é aquecida até o ponto de liberação de gases de combustão que, com o auxílio de uma fonte de ignição com energia, dá início ao incêndio. Também a decomposição de grãos pode gerar vapores inflamáveis. Os gases gerados pela sua decomposição são igualmente inflamáveis e podem gerar explosões.

Os profissionais envolvidos com atmosferas explosivas, como é o caso de um silo, também conhecido de espaço confinado, recomendam o uso de aparelhos que indicam a concentração de gases perigosos em seu interior. Segundo especialistas, a concentração máxima de poeira de grãos no ambiente deve ser de 4 g m-3 de ar.

As orientações e as práticas recomendadas para diminuir o risco de explosões em unidades armazenadoras de grãos passam por: proceder à limpeza frequente do local; evitar fontes de ignição (solda, fumo etc.); fazer manutenção periódica dos equipamentos; peças girantes devem trabalhar sem pó; instalar um sistema de aterramento (eletricidade estática); nunca varrer o armazém; usar o aspirador de pó; equipar elevadores, balanças e coletores de alívios contra pressões; usar sistemas corta-fogo em dutos de transporte, e outros; ter cuidados com ventiladores e peças girantes (faíscas); e manter umidade do local => 50% (ambiente seco é explosivo).

“Recomenda-se, também, o investimento em sistemas de ventilação exautora e janela de alívio contra explosão com cúpula para aplicação em coletores de pó”, explica Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, fabricante de produtos com tecnologia contra atmosferas explosivas. Instalar equipamentos contra explosões é a melhor forma de fazer uma gestão de segurança eficaz.

 

4 Comentários

  1. Romulo Peres

    Parabéns, Emily. Gosto quando você aborda assuntos referentes a áreas classificadas. Ninguém mais trata desse tema com tanta propriedade.

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