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Explosão em indústria de Balsa Nova reflete o risco do setor que processa pós combustíveis

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Caminhão destruído após a explosão na Itambé

A imprensa da Região Metropolitana de Curitiba noticiou, no último domingo (4), uma explosão na fábrica de cimentos Itambé, na rodovia BR-277, em Balsa Nova, matando uma pessoa.

A vítima do acidente teria sido um funcionário, e as causas da explosão ainda não foram levantadas. O local que estaria em chamas é um depósito de produtos químicos da empresa. Neste blog, que conta com a categoria de áreas classificadas desde 2016, escrevi na semana passada um artigo justamente sobre os riscos de explosão na indústria de cimento. Logo, esta semana, não poderia deixar de repercutir este fato lamentável.

Neste país, enquanto as indústrias com atmosferas explosivas não se conscientizarem de que devem promover proteção e prevenção contra acidentes com essas características muitas outras terão um encontro marcado com esse tipo de tragédia. Evidentemente as causas do acidente em Balsa Nova ainda serão esclarecidas, mas, acontece que uma indústria de cimento é um local com área classificada. Explico: área classificada é a classificação da planta industrial, identificada por zonas que indicam a quantidade de mistura explosiva existente no local. Quando finamente divididas e dispersas em determinadas concentrações, as poeiras combustíveis encontradas em diversos processos podem desencadear uma explosão devido ao contato com uma fonte de ignição, presente com o oxigênio. Ora, o cimento é um produto inorgânico, que tem um resíduo inflamável, pois acumula poeiras em suspensão, cujos efeitos são catastróficos.

Espera-se que as causas da explosão na fábrica de cimento Itambé sejam conhecidas, após um processo de investigação que inclui depoimentos de trabalhadores, análise de documentos, bem como histórico de manutenção em equipamentos. Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, lamenta a tragédia na fábrica da Itambé: “Uma empresa em que os responsáveis por segurança industrial não se antecipam aos problemas, tomando providências como manter atualizada a documentação de classificação de área da sua instalação e um plano de inspeção dos equipamentos elétricos e eletrônicos, estará sempre condenada às tragédias como essa”, depõe Raña.

Pois é, trabalho seguro está diretamente relacionado às medidas de controle adotadas segundo orientações das normas e legislações específicas e vigentes. O que se viu, nessa área, por enquanto, ainda não é suficiente.

 

 

 

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