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Estresse no trabalho é tema de pesquisa. Resultado? Derrame

Sabe, por dever de ofício, não se pode desperdiçar um tema tão atual quanto o estresse no trabalho. Tenho escrito sobre o transtorno mental no trabalho e como os médicos do trabalho e peritos médicos têm lidado com o aspecto subjetivo da questão. Por que digo isto? É que, desta vez, vou repercutir uma notícia, digamos que, mais objetiva, pois tem um lastro científico epidemiológico, além da tremenda chance de ser algo concreto. Trata-se de uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Médica de Gangzhou, na China, em que se constatou uma forte associação do estresse no trabalho com o acidente vascular cerebral (AVC). Os cientistas chineses utilizaram os dados de 138.782 pessoas que participaram de pesquisas epidemiológicas feitas nos EUA, Finlândia, Suécia e Japão. Os registros médicos dessas pessoas foram acompanhados durante três a 17 anos. A metodologia do estudo dividiu os empregos em quatro grupos, organizados no controle que os trabalhadores tinham sobre suas atividades e dificuldades, que inclui prazos apertados e desgaste mental. Os desgastes físicos e as horas trabalhadas não foram computados na pesquisa. Os grupos referiam-se ao trabalho como baixo controle e demanda, como artesões e zeladores, baixa demanda e grande nível de controle, como arquitetos e cientistas, alta demanda e pouco controle, como garçons e enfermeiros, e alta demanda e alto controle, como médicos, professores e engenheiros. Essas categorias estavam dentro dos padrões de baixo nível de estresse e alto nível de estresse, no chamado trabalho passivo. A categoria também incluía os chamados trabalhos ativos. Analisados os registros médicos dessas pessoas, os pesquisadores encontraram a associação entre o estresse e a ocorrência de derrames cerebrais. Quem tinha baixo controle de sua atividade laboral e alta demanda apresentava risco 22% maior de sofrer qualquer tipo de derrame e 58% mais alto de ter isquemia cerebral.

Segundo a coautora do estudo, DingliXu, por trás da relação entre trabalho estressante e ocorrência de derrame, estão alguns mecanismos. Exemplifica: para lidar com o estresse, os empregados estão incorporando atitudes não saudáveis de lidar com ele, como o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação. Imagino que o trabalhador que está muito pressionado, termina por descontar o nervosismo comendo uma caixa inteira de chocolates. Afinal, tudo isso é comprovadamente fator de risco para derrames. Mas, como sempre, em pesquisas é sempre importante investigar a relação de forma mais profunda. A cientista crê que, quando contínua, a pressão no trabalho contribui para perturbações na produção de substâncias endócrinas no sistema nervoso central, o que influiria a resposta inflamatória, desestabilizando as placas ateroscleróticas e acelerando o envelhecimento celular, que estimula a secreção de cortisol. Ou seja, são fatores biológicos associados ao derrame. Parece que, o que o senso comum já via ser possível, esta associação entre estresse no trabalho e AVC, agora a pesquisa ilumina essa questão indispensável no campo da saúde do trabalhador. Aqui com “meus botões”, o que mais me assusta é saber que os trabalhadores pesquisados moram em países de primeiro mundo. E, no Brasil? Qual seria o resultado dessa pesquisa? Bem, parece que já sabemos a resposta!

Por Emily Sobral

2 Comentários

  1. Claudia

    Emily, estresse é um fator que mina a saúde de qualquer pessoa. Muito bom você ter repercutido este assunto. boa semana e bons posts pra todos nós que somos de SST e que tem uma blogueira do seu nível.

  2. Katarina Saldiva

    Os ambientes de trabalham precisam ser mais amenos e as pressões devem ser reduzidas, pois o final serão muitos trabalhadores contraindo doenças diversas, inclusive o AVC. dura realidade.

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