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eSocial e saúde e segurança do trabalho: grandes complexidades

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Mais uma sexta-feira que tiro o dia de folga. Hoje, faço minhas as sábias palavras de nosso leitor, médico e especialista, Airton Kwitko , que me enviou o texto a seguir.

Por Dr. Airton Kwitko

eSocial em SST (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A participação da SST em diversos eventos do eSocial apresenta grandes complexidades para serem solucionadas.

Os eventos de SST são “não periódicos”, isto é, não são previsíveis e contêm alta aleatoriedade de ocorrência. Mesmo assim, têm prazos de envio. Em linhas gerais eventos contendo as informações relativas aos exames médicos devem ser enviados até o dia 07 (sete) do mês subsequente ao da realização do correspondente exame. Com exceção do exame admissional, cujas informações devem ser enviadas até o final do dia imediatamente anterior ao do início da prestação do serviço.

A observação mostra que aspectos relacionados às complexidades, sejam dos dados a serem enviados, sejam aos processos de trabalho, não estão sendo bem avaliados. Temos (no momento em que este artigo está sendo escrito) um ano para que eventos de SST sejam enviados ao ambiente do eSocial.

É tempo suficiente para que sistemas de SST sejam implantados, pessoas treinadas para o uso, processos de atividades de segurança do trabalho e médicos se adéquem à novidade?  Penso que sim, que o tempo é suficiente. Mas, e se já existem soluções tidas como adequadas ao que a demanda de SST exige e que, em algum momento podem se revelar incompetentes?

Explicamos: a empresa tem um Sistema que lhe fornece um módulo de SST e acredita que com ele tem tudo resolvido. E se, em algum momento, antes da necessidade de os envios começarem, essa solução tida como útil revelar-se inadequada ou muito complexa para ser utilizada de forma amigável?  Nesse caso o tempo para procurar outra e recomeçar todo o trabalho de implantação, treinamento etc. poderá ser escasso. Quem assume a responsabilidade pela escolha malfeita  e o pagamento por eventuais multas por eventos não enviados?

Para não tornar este artigo muito longo, limitamos a observação da complexidade a tags do Evento S-2220 – Monitoramento da Saúde do Trabalhador. Alguém da área da saúde observou essas tags com atenção?

Vejam isso: Tag 22: A data do exame realizado deve ser uma data igual ou anterior à data do ASO.

Esse “simples” requisito subverte décadas de processos de obtenção do ASO. Esclareço:

Até hoje e desde que o ASO passou a existir (Portaria nº 24, de 29-12-94:  23 anos de idade) exames necessários para os riscos são realizados (se o forem realmente) após a emissão do ASO. O “papel ASO” é o objetivo do exame médico; agora esse mesmo ASO terá que esperar para ser emitido até que os exames para os riscos (informados no Evento S–2240 – Condições ambientais) sejam realizados.

Mas a história não termina aqui: se o exame for admissional todos os dados do exame devem ser enviados “até o final do dia imediatamente anterior ao do início da prestação do serviço”.  Essa informação consta do Manual de Orientações do eSocial, ao abordar o Evento S-2200 – Admissão do Trabalhador.

Observem-se as tags abaixo que definem alguns dados que devem ser enviados:

Tag 23: Código do procedimento médico terapêutico ou diagnóstico constante da Tabela de Terminologia Unificada em Saúde Suplementar (TUSS). Se o procedimento realizado não consta na tabela TUSS, não preencher. Validação: Deve ser preenchido com um número de 8 posições.

Tag 25: Preencher com o código, de acordo com quadro I da NR07, a saber: 1 – EE; 2 – SC; 3 – SC+. Valores Válidos: 1, 2, 3.

Tag 26: Ordem do Exame: 1 – Referencial; 2 – Sequencial. Valores Válidos: 1, 2.

Tag 29: Indicação dos Resultados: 1 – Normal; 2 – Alterado; 3 – Estável; 4 – Agravamento. Valores Válidos: 1, 2, 3, 4.

Pensemos juntos: O exame admissional foi efetuado em uma Clínica que administra o PCMSO da empresa. No mesmo dia do exame essa Clínica terá que enviar à empresa todos os dados para atender às necessidades das tags: Código TUSS do exame, código conforme o quadro I da NR 07, ordem do exame e indicação dos resultados.

Esse envio poderá ser feito por meio físico e, nesse caso, alguém da empresa terá que acessar seu Sistema de SST e informar no mesmo todos os dados recebidos por parte da Clínica. E isso terá que ocorrer antes do início da prestação de serviço. Simples não?

Ou a Clínica tem acesso ao Sistema de SST que a empresa utiliza e ela inclui os dados necessários. Isso já foi providenciado e, se não o foi, está sendo cogitado?

Se (e há sempre um se…) alguma coisa não der certo nesse processo manual ou mesmo no eletrônico, algum ruído na comunicação e/ou esquecimento, qualquer item faltante, um certo exame que deveria ser realizado para um fator de risco informado como existente e não o foi, o que ocorrerá: o evento não será enviado.

Nem desejamos aprofundar o tema pois os desdobramentos negativos são imprevisíveis de intuir nesse momento; mas não podemos deixar de fazer um alerta bem amplo, que é o relativo a aspectos de SST e que estão sendo tratados de forma pouco adequada.

Somente tratamos de dados do Evento S-2200; existem outros que requerem envios, tais como afastamentos, CATs, condições ambientais, insalubridade/periculosidade e aposentadoria especial. São informações “de risco” e com prazo para envio.

Os dados de SST requerem atenção e cuidado especial.

Tratamos desse mesmo tema há algum tempo. Em 02/07/2015 publicamos um artigo com o título de “eSocial e SST: (mais) uma crise anunciada”. Pode ser lido por este link: https://tinyurl.com/ybuezso2

Elaboramos notas técnicas a respeito dos diversos eventos do eSocial que contêm no todo ou em parte aspectos de SST que podem ser baixados pelo link www.sigoweb.com.br, em “Saiba mais: eSocial”.

Essas notas não tratam dos temas já redundantes em tantos e tantos artigos que publicados sobre o eSocial e a SST, tais como a necessidade de implementação do PCMSO, do PPRA, dos controles de EPIs, afastamentos etc. Isso tudo é óbvio e seria repetitivo abordar. Ao contrário: as notas mostram para cada Evento as tags requeridas e de como diversas soluções que incluem ampla inteligência embarcada do SIGOWeb as resolve, minimizando as possibilidades de erros de inclusão, controlando pendências e facilitando o trabalho do usuário em dar as respostas como as apontadas nas tags citadas, e isso de forma automática.

O Sistema é um grande avanço na gestão da SST e um diferencial entre todos os outros sistemas existentes pela sua estrita adequação ao que o eSocial requer.

6 Comentários

  1. Allan-DProteção

    DR.Airton, de fato as empresas e escritório s contabilidade continuam apostando na não implementação do E-social nesses moldes. É uma pena ,pois, quando se derem conta…

  2. Daniel A.

    Bom dia,
    Venho divergir um pouco da opinião do autor, com todo o respeito.

    “Vejam isso: Tag 22: A data do exame realizado deve ser uma data igual ou anterior à data do ASO.
    Esse “simples” requisito subverte décadas de processos de obtenção do ASO. Esclareço:
    Até hoje e desde que o ASO passou a existir (Portaria nº 24, de 29-12-94: 23 anos de idade) exames necessários para os riscos são realizados (se o forem realmente) após a emissão do ASO. O “papel ASO” é o objetivo do exame médico; agora esse mesmo ASO terá que esperar para ser emitido até que os exames para os riscos (informados no Evento S–2240 – Condições ambientais) sejam realizados.”

    – Ao contrário do que o autor indica, o que vemos hoje são algumas empresas “picaretas” que emitem ASO sem ao menos ter resultado dos exames complementares. Eu diria que a via de regra é justamente ao contrário (e o entender dos legisladores ao formular a tag22): O ASO só é emitido após conferência dos exames complementares. Logo, nada mais natural que a data do exame seja igual ou anterior à data do ASO.

    “Mas a história não termina aqui: se o exame for admissional todos os dados do exame devem ser enviados “até o final do dia imediatamente anterior ao do início da prestação do serviço”. Essa informação consta do Manual de Orientações do eSocial, ao abordar o Evento S-2200 – Admissão do Trabalhador.”

    – Creio que o entendimento seja de que o envio dos dados deva ser feito antes do ínicio da prestação de serviço *do colaborador*. Apesar de eu achar que isso irá mudar para ficar um envio mensal, como é feito com o CAGED. A empresa de saúde ocupacional que realizou os exames complementares e emitiu o ASO terá que enviar esses dados para integração no sistema ERP do cliente, que então irá enviar ao governo. Mais uma vez, nada de extraordinário e o que, muitos sistemas já estão fazendo em fase de testes hoje.

    Att.

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