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Ergonomia é mais do que sala de descompressão. É um direito ao bem-estar do trabalhador

Tenho aprendido que ergonomia, ciência que estuda a relação entre homem e trabalho, não se resume a produzir melhora pontual nas situações que geram desconforto no ambiente de trabalho. Por isso, quando pergunto o que é um ambiente de trabalho correto do ponto de vista ergonômico, parece que existe muito de abstrato na questão. Ora, não sou eu apenas que tenho essa impressão, pois, sem dúvida nenhuma, a maioria das chefias das empresas não entende o que é ergonomia. O que se vê, ouve e se fala é que, mesmo com a chegada avassaladora das novas tecnologias, há uma piora das condições de trabalho no País. Mas, pelo menos, já entendi que a ergonomia não pode ser resumida a “salas de descompressão”, espaços criados por algumas empresas para que os empregados passem 10 ou 15 minutos, descontraindo-se e mitigando o estresse, para voltarem ao batente com mais disposição.

Penso sinceramente que esse oásis não faz parte do mundo real. Creio que empresas que aderem à “sala” estão incorporando modismos corporativos que se dissipam em uma ou duas temporadas. Veja bem, não estou dizendo que não há benefício em se permitir um descanso físico e mental ao trabalhador dentro da empresa. Escrevo porque, de certa forma, é um tema fascinante. Tento, na verdade, traduzir aqui algo que parece subjetivo. A ergonomia é metaforicamente como uma roupa para o ser humano, que não pode estar nem muito folgada nem apertada. E o posto de trabalho dentro do conceito da ergonomia “veste” o trabalhador.

Os acidentes ou doenças ocupacionais tendem a acontecer quando o posto de trabalho não está adaptado ao trabalhador dentro da ótica física, biomecânica e cognitiva, logicamente integrado ao processo produtivo. Mas onde acontece acidente de trabalho, foi por falta de ergonomia. Os profissionais que introduzem a ergonomia só poderão garantir resultados práticos se utilizarem metodologias para análise do trabalho das pessoas em seus ambientes. Parte-se do diagnóstico das situações do trabalho de forma abrangente, para não buscar soluções parciais, como é o exemplo da “sala de descompressão”. Há ambientes que precisam de correções imediatas, como, por exemplo, um caixa de supermercado que não pode exercer sua função sem uma estação de trabalho minimamente confortável. Portanto, a análise da atividade é uma ferramenta básica para se fazer um bom projeto de ergonomia. Mas, lembrando Laerte Idel Sznelwar, médico e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em ergonomia o engajamento do trabalhador é que traz resultados positivos em termos de bem-estar e produtividade. “O que importa é o trabalho que a pessoa faz em seu dia a dia, em que ela mesma saiba construir sua saúde no trabalho. Sala de descompressão é bacana, mas não adianta só ter, se o trabalhador é submetido, por exemplo, a metas absurdas”, explica. Ah, dica de Sznelwar: nas empresas, a ergonomia não deve ser um suplemento, para se utilizar apenas em determinada situação. A ergonomia deve estar presente em todos os momentos da vida.

Por Emily Sobral

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