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Ergonomia deve permitir que os trabalhadores desenvolvam e construam sua própria saúde

Ergonomia não é apêndice nem suplemento. Quem diz isso é Laerte Idel Sznelwar, médico e coordenador do curso de pós-graduação em Ergonomia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Sznelwar vai além, afirmando que ainda hoje a alta direção das indústrias não entende o que é ergonomia. Daí, a grande questão é como essa ciência que estuda a relação entre homem e trabalho pode, de fato, ser aplicada às tarefas exercidas nos diversos ramos industriais, se falta compreensão sobre seu papel.

É comum dentro das empresas, por exemplo, quando há algum problema envolvendo adoecimentos das equipes, um gestor cheio de boas intenções sugerir a contratação de um ergonomista, como consultor. “Temos que tomar cuidado com a visão de que trazer um ergonomista vai resolver o problema da empresa, porque isso é uma falácia”, afirma. Para ele, o profissional de ergonomia não pode ser a figura central para sanar os problemas “ditos” ergonômicos. A solução é ampla e passa por mudanças de postura. A  ergonomia trata do trabalho que as pessoas desenvolvem nos diferentes cenários de produção, sejam esses quais forem. “A questão fundamental é como se considera o trabalho dentro das empresas. Há um risco e uma tendência de pensar que o trabalho resume-se aos movimentos, às questões cognitivas ou à fisiologia. No final das contas, tudo é parte do que os trabalhadores desenvolvem. O que importa é saber de que maneira as pessoas vão agir dentro dos diferentes cenários de profissão ou de que maneira vão agir frente às tarefas que lhe são alocadas. Esse é o ponto chave, porque muitas empresas tendem a considerar a ergonomia como uma espécie de apêndice e, da mesma forma erroneamente, enxergam o engenheiro de segurança do trabalho como alguém que, num determinado momento, será colocado no processo produtivo como se fosse um suplemento”, analisa.

Sznelwar vê as indústrias errando, quando buscam na ergonomia uma pequena melhora nas situações que geram desconforto ao trabalhador. Se o trabalho é o centro da produção, deve-se entender o que de fato é feito para melhorar esses cenários, desde os equipamentos, a divisão do trabalho, os tempos alocados até o conteúdo laboral para que os trabalhadores possam, de fato, desenvolver-se profissionalmente. Um ambiente ergonômico saudável, com o engajamento do trabalhador, traz resultados significativos qualidade e produtividade, em que o próprio empregado constrói sua saúde no trabalho. Segundo o ergonomista, o grande desafio é recuperar o valor do trabalho. Não adianta, segundo ele, olhar a postura do trabalhador executando uma tarefa e definir uma ação ergonômica qualquer. Isso faz parte da inclusão da ergonomia nos ambientes industriais, mas é preciso entender os cenários, inclusive para que seja possível promover mudanças necessárias. “Às vezes, vemos ações ou laudos ergonômicos que se preocuparam apenas em cumprir determinada norma da legislação ou porque faz parte de normas corporativas, mas que não entram no âmago da questão”, explica. A ergonomia é um dos componentes de uma ação mais perene com melhorias contínuas, que sempre deve considerar o trabalho, que não pode passar despercebido dentro de uma organização. Não ver isso, é onde mora o perigo, para a ergonomia levar a lugar nenhum.

Por Emily Sobral

3 Comentários

  1. Roberval Janeli Santos

    Parabéns pela riqueza do conteúdo da matéria, Eu como Engenheiro de Segurança fico decepcionado ao reconhecer que os fiscais que visitam as empresas e as notificam,não tem em seus ambientes de trabalho qualquer estudo ergonômico.
    E´aquela velha estoria faça o que falo,mas não o que faço,” eu como sou espertinho vou pelo atalho.Lei de GERSON”.

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