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EPI e jalecos de hospital na rua: nem pensar!

Sim, senhores! Ainda há fascínio diante de profissionais da saúde, utilizando jaleco branco com estetoscópio no pescoço. O problema não se trata do status que esses profissionais exibem. A questão é o rotineiro uso do uniforme fora do ambiente de trabalho, como, por exemplo, em padarias próximas aos serviços de saúde. Mas o que quero ao abordar essa imprudência? Lembrar, obviamente, que a norma regulamentadora 32, que cuida da saúde dos profissionais da área da saúde, determina que todos os trabalhadores expostos a agentes biológicos não devem deixar o local de trabalho com os equipamentos de proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas atividades laborais. Além da NR, há em alguns estados do País legislação específica para evitar a contaminação pelos trajes, que podem transportar germes e espalhar infecções.

Não é por falta de leis e de conhecimento da ciência que o problema em relação aos uniformes teima em existir. Em todos os cursos ligados à saúde, há uma disciplina voltada à biossegurança. Nesta são descritos todos os procedimentos obrigatórios para a segurança tanto dos trabalhadores, como de pacientes e da população em geral. A disciplina preconiza a necessidade da utilização de vestimentas de segurança próprias, principalmente no que diz respeito à manipulação de substâncias biológicas contaminantes, o que pode ser uma cultura microbiológica no laboratório, coletas de materiais biológicos ou exame clínico de pacientes. “Quer dizer, o conhecimento todo profissional de saúde tem, o que falta é a conscientização. Muitas vezes, a vestimenta ou equipamentos são utilizados como demonstração de status e não como meio de proteção”, confirma o biomédico Roberto Martins Figueiredo, o “Dr. Bactéria”, como ficou conhecido ao apresentar um programa de TV.

Tereza Luíza Ferreira dos Santos, chefe do serviço de sociologia e psicologia da Fundacentro, considera importante que essas questões sejam discutidas. “Já ouvi muitos relatos de enfermeiras, em que após a jornada de trabalho, às vezes, com dupla jornada, iam para casa com a roupa que usaram o dia inteiro e, ainda, a lavavam, juntamente com outras de seus familiares”, afirma. A pesquisadora diz que estudos mostram que os trabalhadores não têm muito conhecimento sobre os riscos aos quais estão expostos. “Mas não acho que seja essa questão neste caso, pois são profissionais da saúde e têm informação e conhecimento. Creio que há sim, uma estratégia psicológica coletiva, devido ao medo de entrar em contato com essa realidade. Os hospitais e serviços de saúde são os ambientes onde mais há infecções hospitalares, o que colocam esses profissionais com a possibilidade de ser contaminados. Há medo, parecendo ser mais uma estratégia de defesa, com insegurança e ansiedade diante dos riscos. Evidentemente, essa forma de lidar não é do ponto de vista de saúde e segurança do trabalho, a melhor saída”, analisa.

Tereza também confirma que o uso do jaleco em ambientes externos aos serviços de saúde está relacionado ao status da profissão, pois isso o tipifica como um profissional de saúde. Ela conta que já saiu um vídeo na internet de uma pessoa vestindo roupa de centro cirúrgico, supostamente um médico ou enfermeiro, dentro de uma academia de ginástica, o que gerou polêmica. Se o sujeito era mesmo profissional da saúde isso é o fim da picada.

Mas vamos lá, a falta de conscientização atual não se compara às inconsequências (por falta de conhecimento científico) na Idade Média. “Antigamente, os médicos não se importavam com essa questão, tanto que davam preferência às roupas escuras, de cores marrom e preto, pois parecia que sujava menos”, relata.

A roupa pode ser um meio causador da transmissão de doenças dentro de serviços de saúde. O profissional está uniformizado e, por vezes, está manipulando substâncias biológicas vivas, podendo haver contaminação, sobretudo na área dos bolsos e mangas. Um microrganismo patogênico pode sobreviver por um dia ou mais nesse material. A vestimenta do enfermeiro pode levar micro-organismos para a rua e vice-versa, elevando o risco de contaminação hospitalar.

Nos hospitais e clínicas, há muitos microrganismos resistentes a vários fármacos, as chamadas superbactérias. Existe um risco da propagação desses microrganismos por qualquer material, incluindo vestimentas. Tem de haver um controle efetivo para evitar transmissões.

Tereza conta que a roupa branca para o profissional de saúde data do século 19. A partir da segunda metade do século 19, com Louis Pasteur, cientista francês, considerado um dos fundadores da microbiologia, que questões de higiene tornaram-se decisivas na prevenção de doenças. “Também Inaz Semmelweis, médico húngaro, nascido em 1818, tentou provar que a falta de assepsia dos médicos matava pacientes, sendo até hostilizado pelos colegas de profissão”, conta a pesquisadora.

Limpeza e tecnologia especial ao tecido dos uniformes

Como dentro dos serviços de saúde há inúmeras áreas de risco, obviamente sua gestão deve prezar pelo alto controle de limpeza dos ambientes. Também, os tecidos dos uniformes para esses locais, como a tecnologia de proteção anticromobial, tem crescido no mercado, tornando-se uma opção a mais nas ações de prevenção. É o caso, por exemplo, da Santista Work Solution, que dispõe de uma linha de tecidos para a confecção de vestimenta para os profissionais de serviços de saúde com o acabamento antimicrobial. “O produto age evitando o crescimento de microrganismos, esporos de fungos, bactérias e leveduras, garantindo a integridade do tecido e aumentando sua vida útil. Evita também a formação de manchas produzidas pela contaminação bacteriana e controla o desenvolvimento de ácaros”, afirma Guilherme Tremiliosi, coordenador de produtos da Santista. A inovação nessa linha está no aditivo utilizado, que é finamente fixado no substrato e não migra do tecido para a pele. O executivo destaca ainda que na composição do produto não há metais pesados, como arsênico, prata ou fenóis policlorados. Segundo ele, com a característica “inteligente” do tecido, e sua propriedade microbicida higiênica, é possível controlar os odores desagradáveis e proporcionar sensação de bem-estar. Mas, sobre os uniformes e jalecos, Tereza lembra que esses não são EPIs.

Por Emily Sobral

7 Comentários

  1. Rafael Camargo

    Emily que matéria agradável de ler, sua abordagem faz com que a cada parágrafo crie uma expectativa maior do que há no restante do texto. Te parabelizo por mais esta excelente matéria.
    Um tema que para nós profissionais de saúde e educadores é essencial, no qual ainda encontramos enormes entraves na conscientização dos colegas (como abordado no seu texto) e que continuamente deve ser retomado dentre os profissionais já formados e aqueles em processo de formação.

  2. Emily

    Rafael, Nossa intenção é que os leitores dos posts diários leiam com prazer e, sobretudo, sejam conscientizados! Se puder compartilhar com os colegas de profissão, o esforço conjunto fará com que o objetivo seja mais rapidamente alcançado! Super obrigada!

  3. Roberval Janeli Santos

    Eu acho um perigo comprar carro de médicos que entram e saem dos hospitais com seus jalecos.
    Parabéns pela corajosa matéria e muito esclarecedora,

  4. Mariluce Machado

    Parabéns!! Matéria bem estruturada com excelente argumentação. Os profissionais de saúde precisam ser conscientizados, constantemente, sobre o porque do uso do jaleco e as consequencias para a saúde do seu paciente.

  5. Margareth Lemos

    O tema foi muito bem abordado. Outro dia comentava sobre isso ao passar em frente ao HC. Vi profissionais chegando já usando os jalecos, após uma jornada de ônibus, ou metrô, levando para dentro do hospital, onde estão pacientes com a saúde fragilizada, toda espécie de contaminação. Parabéns pelo alerta!

  6. ANTONIO SALAN

    Parabéns.

    O assunto foi oportuno e abordado de forma direta e com muita clareza, mostrando os riscos que as pessoas correm, podendo contrair um problema de saúde grave, para satisfazer o “ego” de colegas que se esquecem do seu objetivo fundamental, onde ele como profissional da saúde deve ser o primeiro a contribuir para a conservação da saúde e qualidade de vida em todos os níveis, ou seja, desde o paciente ao meio ambiente.

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