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Em vez de haver explosão em indústrias, com prevenção, pode haver estouro de vagas de empregos

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros de São Paulo

Como faço todas as semanas, escrevo sobre áreas classificadas. Já expliquei e não canso de defender que o assunto torne-se mais conhecido, especialmente aos responsáveis por prevenção de explosões e acidentes. A verdade é que a grande maioria dos empresários nacionais não conhece os inúmeros riscos aos quais estão expostas suas instalações industriais e seus trabalhadores. A atmosfera explosiva pode estar presente no ambiente industrial, por diversos motivos. Assim, as chamadas áreas classificadas precisam ser mapeadas, bem como analisadas suas substâncias e processos produtivos para evitar tragédias. Diz-se que brasileiro só tranca a porta depois de roubado. Pois é, ocorre que em períodos conturbados e com a grana curta, a prevenção contra as tragédias que elevam custos é a escolha mais inteligente.

Vamos aos fatos, pois enquanto as catástrofes não são impressas nas manchetes de jornais, é difícil visualizar que há ainda, no País, milhares de ambientes vulneráveis às explosões. Em 2011, uma explosão em uma indústria química de Itapevi, na Grande São Paulo, deixou uma pessoa morta. Em outubro de 2014, uma explosão em uma das dependências da indústria farmacêutica do Grupo Cimed, em Pouso Alegre, em Minas Gerais, resultou em mais 20 trabalhadores feridos. A explosão de uma caldeira de uma indústria de Tamarana, no norte do Paraná, deixou um rapaz de 23 anos gravemente ferido. Pronto, fico nesses três exemplos para não ser acusada de sensacionalista. Mas, como se pode observar, as explosões geram grandes danos pessoais e materiais, justamente onde são desenvolvidas atividades econômicas que sustentam uma nação. Daí, a segurança contra esses riscos deve fazer parte da política das empresas, geradoras de pós combustíveis.

Apenas para ser didática, exemplifico: o pó de grãos em indústrias do agronegócio no limite de concentração no ar e em presença de uma fonte de ignição é um perigo na certa. O início da combustão pode ser uma centelha elétrica. Em silos de açúcar, onde já ocorrem várias acidentes, em geral, as explosões costumam ser sucessivas, propagando-se para outros silos.  O pó do açúcar que é produzido está mais fino e, logo, mais seco. E é por essa condição que são geradas mais partículas e mais risco de fogo. Em função dessa realidade, os especialistas em áreas classificadas devem conhecer, nesse caso, o papel da granulometria com o objetivo de haver um manuseio e estocagem mais seguros. Aumentar a umidade do produto estocado também contribui para a prevenção de explosão.

Evidentemente, o estudo de áreas classificadas deve ser entregue aos engenheiros com especialização no assunto e que conheçam as diversas regulamentações para executar um plano eficaz de prevenção contra explosões. O número de gases explosivos, a classe de explosão, a temperatura mínima do inflamável e a classificação da temperatura são conhecimentos necessários para um projeto de prevenção de explosões em edificações industriais.

Segundo Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, há inúmeras soluções para a proteção contra explosões. “Deve-se, antes de tudo, conhecer as áreas classificadas, para buscar a alternativa que melhor se adéqua ao caso. Entre os sistemas de prevenção e proteção contra explosões, destacam-se os controladores de fontes de ignição para elevadores, neutralizadores de atmosferas explosivas, detectores para extinção de faíscas e painéis, janelas alívio de explosão, abafadores, isolamento e supressão de explosão”.

Se alguém ainda não sabia das implicações catastróficas das atmosferas explosivas, já passou da hora de tomar as providências necessárias para não negligenciar a gestão de poeiras explosivas.

 

2 Comentários

  1. Romulo Peres

    Quantas tragédias poderiam ser evitadas se o estudo das áreas classificadas e a consequente implementação dos dispositivos de segurança fossem aplicadas corretamente! Esse assunto é muito importante e precisa ser abordado sempre.

  2. Octávio Guerra Sobrinho

    é verdade que a prevenção contra as tragédias nas empresas elevam custos, mas a vida humana vale mais do que tudo, e o trabalhador, que é o bem maior, merece segurança a qualquer preço.

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