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Eletricidade estática e seus riscos sutis em áreas classificadas

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Perigo da eletricidade estática….
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… ser fonte de ignição de uma explosão em planta industrial

Semanalmente escrevo sobre áreas classificadas existentes em diversos setores industriais. Trata-se de um tema técnico, mas, nem por isso inexplicável. No Brasil, infelizmente, não há estatísticas sobre as explosões ocorridas em áreas onde existe a possibilidade de ocorrer uma rebentação trágica, que põe em risco a vida de trabalhadores. Assim, nossa função é fazer com que empresários e gerentes compreendam as características das zonas presentes numa planta industrial onde a formação de uma mistura explosiva pode levar a graves acidentes.

Ora, relembro o conceito de atmosfera explosiva: substâncias inflamáveis sob a forma de gases, vapores, névoas ou poeiras, misturadas com o ar, em determinadas condições atmosféricas, após ignição, levarão à combustão e propagação de toda a mistura não queimada.

Logo, medidas de prevenção contra os acidentes com atmosferas explosivas são de responsabilidade da empresa, que deve evitar sua formação ou, não sendo possível, impedir a sua deflagração e propagação.

Hoje, neste post vou concentrar-me aos cuidados com as fontes de ignição, mais especificamente, à eletricidade estática. Mas, Emily, é preciso ser engenheiro para entender sobre eletrostática, não? Calma, também não sou engenheira, mas sei que é um aspecto importante no contexto da prevenção, ainda que caiba aos especialistas estudar as áreas classificadas em cada uma das instalações industriais e sugerir as medidas pontuais de prevenção. Quem nunca fez a experiência de esfregar a ponta de uma caneta num tecido e com ela atrair e levantar fios de cabelo e pedacinhos de papel? Lembrou? A eletricidade estática é considerada um excesso ou falta de elétrons em algum corpo ou local. Se tiver carregado positivamente, faltam elétrons, ou negativamente, há excesso de elétrons. É uma carga que fica armazenada e, quando há oportunidade, migra de lugar.

As fontes de ignição mais comuns são os equipamentos elétricos, produtos físicos e visíveis, como, por exemplo, tomadas e plugues. Já a eletricidade estática não é tangível e por isso mesmo seu risco é maior. Sua manifestação dentro de um ambiente industrial com áreas classificadas é inesperada.

Se com os produtos elétricos como fontes de ignição, a prevenção está em cuidar para que não haja precariedade de suas condições, no caso da eletrostática como fonte de ignição, a prevenção é mais complexa. A eletricidade estática, no dia a dia, é uma carga que não apresenta maiores problemas. No entanto, numa área classificada de uma indústria, a situação toma outra proporção, pois exerce o papel de fonte de ignição, podendo detonar uma explosão. Sim, numa atmosfera combustível, uma centelha de estática pode ter efeitos catastróficos. Situações de acúmulo de carga estática são inerentes aos processos industriais, portanto, a solução básica é o aterramento, descrito em normas que trazem as indicações de como o trabalho deve ser feito, para a proteção de estruturas contra descargas atmosféricas. Para ser efetivo, o sistema deve conter componentes e meios condutores, numa malha de aterramento e tubulações. Tudo projetado por especialistas qualificados em áreas classificadas.

“Uma vez executado o aterramento, deve-se usar procedimentos gerenciais para saber se o escoamento da energia para a terra está sendo efetivo”, sugere Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, fabricante de produtos com tecnologia contra atmosferas explosivas.

Como se vê, nenhum gerente de indústria precisa cursar engenharia para entender que a eletricidade estática oferece riscos relevantes em áreas classificadas, que precisam de prevenção e proteção. Depois da conscientização, mãos à obra com as ações efetivas.

 

7 Comentários

  1. Romulo Peres

    Um exemplo de eletricidade estática causando grandes explosões de atmosferas explosivas é o famoso acidente com o dirigível Hinderburg, que explodiu quando estava se preparando para aterrisar.
    Os cabos conectados pelo pessoal de terra provocaram descargas eletrostáticas na hora do aterramento, que causaram a ignição da grande quantidade de hidrogênio que havia no dirigível. A presença de atmosfera explosiva nos dutos de ventilação foi por causa de vazamentos em válvulas do sistema de hidrogênio. Nesse acidente morreram 35 pessoas a bordo.

  2. Roberto Ferreira Gentil

    Muito bom! O que poucas pessoas sabem é que a eletricidade estática pode danificar e até destruir computadores, chips de memória e outros componentes eletrônicos.

  3. Sonja Bruekman

    Os riscos associados à eletricidade estática em ambientes industriais de manipulação de sólidos, líquidos, poeiras, gases, sprays e explosivos deve ser do conhecimento de todos nós, seguidores deste blog. Mas é sempre bom lembrar, né, Emily?

  4. Lili Maria

    A eletrostática pode ser uma inimiga perigosa, por ser silenciosa e invisível.
    Cuidado, porque ela é responsável por muitos
    acidentes.

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