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É preciso estar atento e consciente contra as atmosferas explosivas

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Atmosferas explosivas em indústrias precisam de prevenção (Foto Pixabay)

Escrevo sempre sobre atmosferas explosivas, pois é um assunto que está diretamente relacionado à prevenção de acidentes de trabalho, apesar de ser técnico e específico.

Se não houver proteção nos ambientes industriais com atmosferas explosivas, um sinistro fatalmente vitimará os trabalhadores. A grande maioria das fábricas em diversos segmentos econômicos mantém internamente áreas com materiais combustíveis, num determinado grau de concentração, que, com o ar presente (oxigênio) e uma fonte de ignição com energia suficiente, pode sim ser o estopim de uma tragédia.

A ausência da prevenção contra os riscos de explosão é, em grande parte, pela falta de conscientização sobre os riscos. E quando um gerente industrial é ciente das consequências do chamado ‘triângulo do fogo’, algo pode ser feito previamente para evitar sinistros. “Há diversas formas para que as indústrias envolvidas com os riscos das atmosferas explosivas tenham a devida consciência para esse tipo de perigo”, afirma Roberval Bulgarelli, engenheiro da Petrobras e coordenador do COBEI, o órgão responsável pela elaboração das normas técnicas brasileiras nas áreas da eletricidade, eletrônica, iluminação e telecomunicações.

Segundo ele, um ponto de partida para entender sobre a importância da proteção é conhecer os requisitos legais existentes no Brasil desde 1991, publicados pelo Inmetro, que aborda a certificação compulsória (obrigatória) de equipamentos elétricos e eletrônicos para instalação em atmosferas explosivas, contendo gases inflamáveis ou poeiras combustíveis. “No entanto, tal conscientização por parte das empresas em relação às atmosferas explosivas somente será efetiva na medida em que houver uma real percepção desses riscos e das graves consequências e responsabilidades que uma explosão pode ocasionar, tanto às instalações, como para as pessoas envolvidas e para o meio ambiente”, explica. Além disso, os órgãos públicos no Brasil devem atuar com rigor para exigir dessas empresas o atendimento aos requisitos legais.

Outro aspecto rumo à conscientização de segurança em atmosferas explosivas é a questão das empresas de seguro. “À medida que as seguradoras exijam das empresas seguradas o atendimento dos requisitos técnicos das normas ABNT NBR IEC 60079, haverá ações que podem resultar em um maior nível de segurança das instalações “Ex” e, também, em um menor custo relacionado ao seguro”.

Sobre o aspecto de conscientização, destaca-se ainda a orientação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2011, para que os países alinhem seus sistemas internacionais elaborados pelo IECEx, para a certificação sobre atmosferas explosivas com os sistemas internacionais de certificação paro o ciclo total de vida das instalações “Ex”. “Na medida em que haja sistemas nacionais sobre certificação de competências pessoais “Ex”, sobre certificação de empresas de prestação de serviços “Ex” e sobre certificação de equipamentos elétricos e mecânicos “Ex”, haverá uma maior conscientização e motivação para a aplicação destes sistemas, os quais irão resultar em um maior nível de segurança das instalações das empresas envolvidas com atmosferas explosivas”, afirma Bulgarelli.

Quanto à percepção dos perigos das atmosferas explosivas, Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, apoia Bulgarelli. “É preciso que as empresas cumpram com as orientações normativas internacionais e nacionais. Além disso, empresas e profissionais habilitados em atmosferas explosivas estarão aptos a projetar as medidas de proteção e prevenção contra as explosões industriais”, explica Raña.

 

4 Comentários

  1. Romulo Peres

    Muito bom você ter mencionado o triângulo do fogo, que deveria ser aprendido já no ensino fundamental.
    O triângulo do fogo é a representação dos três elementos necessários para que haja combustão: 1 – o combustível, que fornece energia para a queima, 2 – o comburente, que reage quimicamente com o combustível, e 3 – a temperatura de ignição, que é necessária para que ocorra a reação entre combustível e comburente.
    Aprender isso na escola seria o passo mais importante para evitar muitas tragédias.

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