• Vakinha
    Vakinha
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

‘Doencinha’ não dá direito ao trabalhador faltar no emprego

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Atualmente, quem adoece corre o risco de ser demitido (Foto Pixabay)

A relação entre produtividade no mercado de trabalho e o direito de adoecer é a tese do pesquisador do Instituto de Assuntos Avançados da USP, Frederico Azevedo Costa Pinto. Achei o tema pertinente ao blog, que trata de saúde e segurança do trabalho.

Vou expor minha percepção a respeito de Costa Pinto, pela entrevista que deu ao portal de notícias UOL. Segundo ele, ser ‘saudável’, nos dias de hoje, assumiu muitas variações. A saúde deve ser vista como uma condição de vida com qualidade, sem estresse e bem-estar físico e mental. Porém, para o pesquisador, sob a ótica de trabalho e produtividade, a saúde está mais relacionada ao sucesso e realização profissional. Ou ser, ser saudável é uma responsabilidade que culmina em rendimento ocupacional. É, então, que a pesquisa sugere algumas conclusões. Uma delas é que as demandas da sociedade exercem grandes pressões de trabalho e de longas jornadas, e, por exemplo, faltar ao trabalho por causa de um mal-estar sem gravidade é visto como uma fraqueza da pessoa. No caso de doenças graves, o indivíduo que é um trabalhador, recebe uma aceitação contrária, pois o paciente desperta piedade. Daí, ele passa de “preguiçoso e fraco” para “coitado e lutador”.

A pesquisa vê ainda outra classe de pessoas, que são as portadoras de doenças que se podem evitar, como as obesas, fumantes ou portadoras de doenças sexualmente transmissíveis. No universo corporativo, essas pessoas despertam indignação, pena e raiva. Costa Pinto cita que existe uma pressão e uma cobrança para o trabalhador mostrar-se forte e resistente. Portanto, não é por causa de uma simples dor de cabeça, que uma pessoa deva ‘cabular’ um dia de trabalho. No que diz respeito à condição econômica, o pesquisador avalia que pessoas com menor renda e maior instabilidade funcional teriam maior receio de perder um dia de trabalho, por sentirem-se doentes.

Mas, nem sempre é assim que ocorre na vida real. Sim, faltar um dia de trabalho cria uma situação de medo de ser demitido, o que dificulta o adoecer nosso de cada dia. Encerro com um dado estatístico trazido pela pesquisa, proveniente de outros países, que mostra que o número de dias faltados por doenças sem gravidade é maior entre empregados que têm estabilidade de emprego e menor entre os autônomos. Ora, logicamente, quem não corre o risco de perder o emprego, dá-se ao “luxo” de recuperar-se de uma cólica menstrual em casa. Quem é autônomo e sabe que sua remuneração só vem com muita labuta diária, faz de conta que está gozando de plena saúde, mesmo se estiver com uma enxaqueca daquelas!

3 Comentários

  1. Vanessa Gomes

    Ninguém quer ficar doente. Ser saudável o tempo todo é quase impossível. as empresas precisam apostar no bem estar dos trabalhadores, que a produtividade acontece.

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.