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Doenças relacionadas ao trabalho: notificar é preciso

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

É importante notificar todas as doenças de trabalho no SINAN que faz parte do SUS (Foto Agência Brasil)

Não há como negar que, de todas as doenças relacionadas ao trabalho, as “Lesões por Esforços Repetitivos (LER)” e “Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho” (DORT) são as mais populares e conhecidas das pessoas. Mesmo assim as LER/DORTs são de difícil diagnóstico, pois são, incialmente, confundidas com incômodos musculares passageiros. Só que não. Decorrentes de atividades laborais que exigem esforços repetitivos que sobrecarregam o sistema músculo esquelético, as LERs podem evoluir para casos de dores crônicas, que levam à incapacidade por tempo prolongado ou mesmo permanente. Daí é fundamental que as condições de trabalho sejam modificadas.

Mas, hoje, irei a outro ponto. Além das ‘famosas’ LER/DORTs, há cerca de 200 enfermidades relacionadas ao trabalho que resultam de várias situações laborais que prejudicam a saúde dos empregados. Assim, quero aqui divulgar a importância da notificação compulsória das doenças de trabalho que devem ser registradas no Sistema de Agravos de Notificação, o SINAN, que faz parte do Sistema de Informação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por meio da Portaria 777/2004, substituída pela Portaria 104, de 2011, o Ministério da Saúde determinou que 11 agravos relacionados ao trabalho devam ter notificação compulsória e sejam incluídos no SINAN. A expectativa é que todos os serviços da rede-sentinela das regiões do País por meio do SUS façam essa notificação. Não importa se o trabalhador pertence ao mercado formal ou esteja na informalidade, se é funcionário público ou da iniciativa privada, essas notificações são necessárias, pois permitem um olhar ampliado e realista sobre o adoecimento nos ambientes profissionais. Infelizmente, as subnotificações das doenças relacionadas ao trabalho são realidade no Brasil. E isso precisa mudar, até para que se possam planejar políticas públicas contra as doenças ocupacionais.

Entre os especialistas é consenso que, muitas vezes, os agravos à saúde dos trabalhadores não recebem a devida caracterização, ou seja, são tratados como enfermidades comuns, sem ligação com o exercício da atividade profissional. Assim, os médicos e outros agentes da saúde devem estar conscientes sobre a importância do sistema de notificação que deve abranger toda a população trabalhadora. Para auxiliar os profissionais da saúde para que tenham conhecimento das doenças ocupacionais, o Ministério da Saúde elaborou um manual em que descreve as 200 doenças relacionadas ao trabalho. Esse material está disponível no site www.saude.gov.br.

O que não pode é não notificar.

3 Comentários

  1. Lena Júlia

    saber quais os agravos na saúde dos trabalhadores é um desafio para o Estado, inclusive para propor políticas de proteção aos trabalhadores.

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