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Discriminação no trabalho contra as mulheres causa danos à saúde

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Não tem sentido a mulher ser discriminada no trabalho (Foto: Pixabay)

Ando bastante avessa ao proselitismo político, de raça, de gênero e de animal. Sim, hoje em dia é tanta ‘categoria’ fazendo ativismo e reclamando de segregação e preconceito, que o mimimi atingiu o grau máximo da chatice. Faço esta abertura para entrar no tema da discriminação da mulher no trabalho e suas consequências sobre sua saúde. Não estou escrevendo este post apenas por ser mulher. Pronto! Mas achei por bem divulgar o trabalho da médica e doutora em psicologia social, Margarida Barreto, que tem estudado e apontado a discriminação da mulher no mercado de trabalho, pois percebo que esse problema existe e é uma lamentável realidade.

Como este espaço é para difundir a prevenção de doenças e acidentes do trabalho, eu não deixaria de fazer minha análise sobre uma rejeição conservadora à mulher que cause danos emocionais e doenças até graves, como a Síndrome de Burnout, distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intensos.

Apesar da presença feminina em cursos de nível superior, as desigualdades entre homens e mulheres ainda persistem no mercado de trabalho. Vejo as mulheres conquistando maior espaço no mercado de trabalho, mas, segundo Barreto, nos bastidores desse cenário, elas ainda são vítimas de discriminação, violência e desigualdades de oportunidades e salários. “Infelizmente, apesar de estarmos no século XXI, ainda persiste a desigualdade, tanto socialmente como no mundo do trabalho”, afirma a médica. Para ela, há um conceito no ambiente profissional de que a mulher não é tão capaz quanto o homem. Isso é reforçado não apenas nos setores de linhas de produção, mas também na alta hierarquia da empresa. Quer um exemplo? Há mais homens presidentes de empresas do que mulheres. “A mulher sobe até um determinado teto de cristal. Daí em diante, ela não consegue chegar às posições de comando”, afirma.

Barreto mostra outros exemplos, como o típico caso de um homem e uma mulher, em que mesmo ele tendo menos experiência que ela, será escolhido para ocupar uma vaga. “Quando a empresa coloca a questão do sexo para definir uma promoção está fazendo uma política discriminatória, mesmo que negue”, afirma. Também, no mercado de trabalho muitas mulheres continuam sendo alocadas pelas empresas em postos ditos femininos, formando o que a médica chama de ‘guetos rosas’. Há organizações em que determinados setores são ocupados exclusivamente por mulheres. Mais exemplos: setores de embalagem, telemarketing, professoras do ensino fundamental e enfermeiras. Em geral, o que embasa essa escolha é em função de a mulher ser mais sensível e mais paciente. “Não queremos perder essas características, porém isso não pode servir de justificativa para a discriminação”, explica.

Para chegar à essência deste blog, a médica cita a tal discriminação dentro da medicina. “Algumas especialidade continuam sendo de domínio masculino, como as especialidades de ortopedia, neurocirurgia e cirurgia cardíaca”, afirma. Ela conta o caso de uma médica que fazia residência em um grande hospital de São Paulo, em ortopedia, que sofreu intenso assédio moral entre os colegas, com conivência da chefia. Segundo relata, a médica marcava as cirurgias, mas quando chegava ao hospital, encontrava outra equipe de médicos homens, já realizando os procedimentos. “Ela colocava gesso num paciente, mas quando chegava no dia seguinte, outro médico já o tinha retirado. Foi-se criando um clima para desqualificá-la como ortopedista”, diz. Barreto fala como a discriminação por sexo do trabalho favorece o adoecimento: “todo mundo, quando chega ao ambiente de trabalho, procura dar o melhor de si, e à medida que não se vai sendo reconhecida e o tempo vai passando, a profissional pode desestruturar-se emocionalmente, perdendo a confiança em si. Ela pode isolar-se, pois há um processo de esgarçamento das relações interpessoais, resultando em uma depressão leve até encaminhar para a Síndrome de Burnout. A partir disso, se não for tratada, a pessoa pode até pensar em suicídio.

Infelizmente, às vezes, o adoecimento da trabalhadora é justificado por sua fragilidade e não devido ao fator de risco presente na organização, que ameaça sua saúde e integridade física e psicológica”, explica. Sem dúvida, que as humilhações e outros atos de violência no cotidiano laboral são camuflados sob o manto das desigualdades que permeiam as relações de gênero. Como acabar com isso? Não cravo nenhuma resposta, mas acho que o conjunto da sociedade precisa de educação e amadurecimento. Afinal, temos que preservar a saúde de todo e qualquer trabalhador, seja macho ou fêmea.

8 Comentários

  1. Francisco Holand Neto

    essa conversa das mulheres é muito mimimi. as competentes chegam até a presidência da nação, vide o exemplo da Angela Merkel. E as incompetentes também; taí o exemplo da Dilma.

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