• Vakinha
    Vakinha
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Dez passos para uma segurança contra incêndio, sem meias palavras

No Brasil, só haverá a verdadeira segurança contra incêndio quando, no mínimo, houver um ciclo permanente e constante de atualização, contendo os itens necessários ao processo de prevenção. A avaliação é de Carlos Cotta Rodrigues, engenheiro civil e de segurança do trabalho e tenente coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Quais seriam os elementos para ser possível afirmar que a estratégia de prevenção a incêndio seria eficaz? Cotta lista e explica: falta ótima e atualizada legislação. Para ele, “o que se vê são legislações obscuras, confusas e erráticas”. Profissionais treinados e capacitados, que, na visão do engenheiro, não se tratam apenas de engenheiros e arquitetos com baixa capacitação. “Estou falando dos agentes públicos, que também não conhecem as próprias legislações e normas”. Projeto de engenharia sem qualidade ainda compromete uma prevenção adequada, já que, em geral, eles são de baixa qualidade, chamados de “projetos de bombeiros”. Segundo ele, não são projetos de engenharia. “Tais projetos não apresentam informações para que um empreendedor possa realizar uma boa cotação e instalação com produtos de qualidade. Infelizmente, não são exigidos projetos básicos ou para execução”, afirma. Quanto à utilização de produtos certificados, Cotta diz, sem meias palavras: “produtores especializaram-se no fornecimento de materiais que enganam há muito tempo os órgãos públicos, que, por sua vez, permanecem de braços cruzados aguardando o protocolamento, de forma cartorária, de documentos elaborados por técnicos incompetentes, e que não sabem do que estão se responsabilizando”, fala Cotta.

Há ainda a questão, segundo ele, das empresas instaladoras. “É muito baixa a qualificação de instaladores, cujo treinamento custa caro. Obras de proteção contra incêndio são realizadas, muitas vezes, por profissionais sem qualificação. Eletricistas transformam-se, da noite para o dia, em especialistas de sistemas complexos como os de detecção de incêndio. Instaladores de ar condicionado aventuram-se a instalar sistemas de controle de fumaça. Encanadores aventuram-se a instalar sistemas de chuveiros automáticos. É um verdadeiro caos, cujos prejudicados são os empreendedores e usuários. Os primeiros, por vezes, aceitam tal panorama (para baixarem seus custos) e os últimos acabam nunca sabendo que estão em uma edificação que não possui sistemas de proteção contra incêndio adequada”. É preocupante mesmo, mas Cotta continua a enumerar: o comissionamento nas instalações.  “Nunca vi qualquer técnico preencher um documento de Responsabilidade Técnica afirmando que sua instalação ou serviço não está atendendo a Norma. Qualquer órgão público responsável sabe que deve exigir o comissionamento das instalações de proteção contra incêndio nas edificações, sob o risco de, novamente, ser enganado. Somente a ‘cegueira deliberada’ justifica tal padrão dos órgãos e certamente continuaremos nos deparando com o atual panorama de baixa qualidade nas instalações de proteção contra incêndio”, afirma.

A auditoria das instalações por órgãos públicos é um dos itens da lista de Cotta. “Vistoria é ver. Se os órgãos públicos pretendem continuar sendo enganados, basta manter o ’status quo‘ de realização de vistorias em obras que possuem produtos especializados para enganá-los”, conta. Somente a auditoria pode alterar tal panorama. Não adianta afirmar que não há efetivo. Basta realizar tais auditorias em sorteios randômicos, bem como elencar as edificações de maior risco. Isto é trabalhar com inteligência gerencial e com as ferramentas existentes. Afinal, nunca haverá profissionais em número suficiente. O baixo número é um problema recorrente em todos os países, mas que não pode justificar o baixo nível das fiscalizações. Para terminar a listagem dos elementos para uma proteção contra incêndio eficaz, Cotta lembra a exigência de testes e manutenções constantes após a auditoria. “AVCB por tempo determinado deveria ser abolido. Basta criar o conceito de auditoria randômica para a realização das fiscalizações, bem como a figura da denúncia pela Ouvidoria”. Nesse quesito, Cotta afirma que nenhum órgão público pode sobreviver sem uma instituição de controle. Finalmente, o engenheiro fala das estatísticas de incêndio e sua divulgação. “Sem dúvida, a estatística mostra se o trabalho está sendo ou não bem desenvolvido. É também uma ferramenta imprescindível para estudos e evolução do próprio mercado”, conclui Cotta, sempre sem meias palavras.

Por Emily Sobral

Um Comentário

  1. Claudia

    Emily, este engo. Cotta não é fraco não. Gostei do conhecimento dele e da forma que transmite, como você diz, sem meias palavras.

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.