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Correios vão mal e seus empregados também

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Nos Correios a vida dos trabalhadores não vale nada (Foto Agência Brasil)

Ora, ora como diz uma amiga minha: “Quando a situação está ruim, aguarde, pois pode ainda piorar”. Não é um hino ao pessimismo! Mas, convenhamos, a situação dos Correios não está nada boa. Com as contas no vermelho pelo terceiro ano consecutivo, a estatal pode até demitir empregados para tentar equilibrar as contas, pois acumula um rombo de R$ 4 bilhões, nos últimos dois anos.

Mas, como funcionários de empresas públicas não podem ser demitidos sem justa causa, o Departamento Jurídico da estatal estuda que essa dispensa seria motivada por questões técnicas, econômicas e financeiras. Agora, se não bastasse trabalhar numa empresa que vai mal das pernas (quem prefere enviar uma carta pelos Correios, em vez de enviar uma mensagem por email ou whatsApp?), imagine correr riscos no exercício da função?

Já escrevi outros posts sobre os riscos ocupacionais dos carteiros, como lesões por esforço repetitivo, atropelamentos e mordidas de cachorros.  Infelizmente, no final de março, um empregado dos Correios de Mato Grosso teve morte cerebral decretada. Celso Luis Gomes, de 43 anos, tinha 23 anos de empresa, passou mal em fevereiro. Ele trabalhava na maior Central de Distribuição do Correios de Mato Grosso, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. Gomes foi internado e, depois da retirada de líquido da cabeça dele para exame, descobriram que se tratava do fungo do pombo. Suspeita-se que o empregado tenha sido contaminado pela Criptococose, doença transmitida pelos pombos, que contamina o ser humano pela inalação de fungos que estão presentes nas fezes desse animal. A doença atinge o pulmão e pode chegar também ao sistema nervoso central, ocasionando sintomas como dor de cabeça, sonolência e febre. Pode também causar meningite. Cerca de 30% das pessoas infectadas morrem. Agora, pergunte: os Correios vão ter dinheiro para investir em condições mínimas de trabalho e saúde em suas unidades?

Diante desse triste ocorrido, como ficam os milhares de funcionários que trabalham em outras regiões do Brasil? Os Correios de Mato Grosso soltaram uma nota, afirmando que atuam por meio de ações para evitar a infestação de pombos em todas as suas unidades. Essas ações incluem desde proteção com telas em locais de maior vulnerabilidade, instalação de cortinas de borrachas em portas de entrada, repelentes para evitar o pouso dos animais, além da instalação de equipamento sonoro ultrassônico com objetivo de espantar as aves. Além disso, o comunicado informa que realiza limpeza geral das torres e dos condicionadores de ar do prédio, dedetização geral da unidade e a realização de exames preventivos nos empregados. É o mínimo, não? Agora, a categoria não pode desistir de lutar por melhores condições de trabalho e qualidade de vida. Esperamos que outros ‘Celsos’ não tenham o mesmo destino trágico.

 

5 Comentários

  1. Conrado Filho

    É muito triste o que vem acontecendo com os Correios e, especialmente, seus trabalhadores! Boa abordagem, sem dúvida!

  2. Josué Pereira

    Empresa pública não se preocupa com ações de prevenção contra acidentes de trabalho. É uma lástima, pois o estado sempre foi incompetente e agora, pior, está falido!

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