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Construção civil não deve esperar o nível da atividade melhorar para buscar avanços na segurança

O setor de construção civil vem tendo uma redução drástica no nível do emprego no País, como consequência direta da desaceleração da economia. É um infortúnio para quase meio milhão de operários que serão demitidos este ano, segundo previsões. Mas não vou entrar no campo da política nem economia, porque minha conversa é sobre saúde e segurança do trabalho.

A gestão de SST no setor de construção civil não pode vir à tona somente nos bons momentos da economia. O setor, como se sabe, é até hoje um dos que ostenta os índices mais trágicos em relação aos acidentes de trabalho. Porém, com a melhoria ambiental no setor diminui-se a acidentalidade. Levantamento de especialistas na prevenção de acidentes, verificando as situações de riscos, concluiu que o principal índice de desvio refere-se ao risco de quedas de pessoas nos trabalhos em altura. No ranking sinistro acrescentem-se choques elétricos e soterramentos. Isso acontece em função dos afastamentos dos padrões recomendados de segurança, o que inclui a falta de treinamento e conscientização para os empregados sobre os dispositivos para proteção. Em geral, nos canteiros de obras, quatro itens demonstram as vulnerabilidades que resultam em acidentes: materiais e equipamentos, sistemas de trabalho, condições ambientais e comportamento inseguro ou atitudes imprudentes. Mas há ferramentas gerenciais próprias ao setor que são eficazes. A saber: inspeções, rondas de segurança e programas de análise de comportamento. A ação preventiva e o gerenciamento de riscos nos canteiros de obra fazem toda a diferença. Não se pode admitir que pela falta de proteção coletiva contra quedas, o risco de trabalho em altura na construção permaneça.

No caso de soterramento, o acidente acontece por causa de escavações sem atendimento às regras de segurança. Quanto aos choques elétricos, o quadro de falhas é espantoso: instalações irregulares, fios elétricos soltos pelo chão, ausência de isolamento de maquinários e quadros de distribuição de energia sem proteção. Sem contar que ainda ocorrem aberrações no segmento, com jornadas excessivas, incapacidade técnica de operadores de máquinas e até inexistência de responsáveis técnicos. Com essa perspectiva é difícil tirar o setor de construção civil no topo do ranking sinistro. No entanto, enquanto houver profissionais do campo da saúde do trabalhador haverá esperança para reverter esta realidade.

Garantir a segurança nos canteiros de obra é mudar a cultura, tanto de empregados quanto empregadores. Às empresas a recomendação é que devem investir em segurança por dever legal e moral. Já, os trabalhadores precisam entender, sejam com treinamento e capacitação, que o uso de equipamentos de proteção individual e maior atenção na execução do trabalho são condições básicas de preservação da integridade física.

Nessa fase, em que o segmento vive uma retração, gestores em SST e operários precisam aproveitar o tempo (livre) para corrigir os desvios de segurança que tanto resultam em acidentes.

Por Emily Sobral

 

3 Comentários

  1. Paulo César

    Parabéns!!! Emily…
    Uma verdade “mudança de cultura”, na área da construção civil , tem melhorado , no entanto ainda é um segmento que o óbito é mais forte…
    Empresa mais comprometidas e empregados mais atentos e exigentes na sua segurança evitando tanto o Ato inseguro quanto a condição Insegura..

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