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Como proteger o trabalhador do risco biológico na indústria de alimentos

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Risco biológico da indústria de alimentos. Foto Pixabay

Hoje, início da semana, restrinjo-me à indústria de alimentos e ao risco biológico, ainda que o segmento contenha os riscos de queimaduras, ergonômicos, ruídos, choques, entre outros acidentes.

Érica Lui Reinhardt, pesquisadora da Fundacentro, diz que os principais problemas relacionados à exposição a agentes biológicos na indústria de alimentos são decorrentes da exposição direta, por contato ou inalação, com material de origem biológica, como farinhas, partículas de pelos e pele de animais, diversos tipos de fungos, endotoxinas bacterianas, e da infecção por algum agente que causa uma zoonose, entre as quais psitacose, brucelose, leptospirose, toxoplasmose, listeriose e erisipeloide.

“A exposição ao material de origem biológica tanto pode ocasionar doenças respiratórias, quando o material particulado é inalado, como doenças alérgicas, por inalação ou contato. Todos os processos que levem à produção de material suspenso no ar, como os que envolvem moagem e mistura de alimentos, e aqueles em que o trabalhador manipule o material de origem animal ou vegetal, com o contato direto com sua pele, sem proteção, representam risco potencial”, afirma.

As doenças mais comuns de trabalhadores da indústria de alimentos são as respiratórias. Esses problemas incluem rinites, bronco-constrição das vias aéreas e pneumonites, sendo que a exposição prolongada a material biológico no ar pode, ao final, ocasionar enfisema e asma.

Diante desse quadro, as indústrias alimentícias precisam fazer uma gestão eficiente contra os riscos biológicos.  “A indústria de alimentos deve buscar obter os mais elevados graus de higiene durante todo o processamento. Essa atenção é exigida pela legislação da Agência Nacional de Vigilância Sanitário, a Anvisa, para o setor, que beneficia tanto o consumidor final quanto o trabalhador”, informa.

Por exemplo, a exigência de se trabalhar com carne previamente inspecionada diminui a chance de transmissão de algumas das zoonoses anteriormente referidas. Por outro lado, se o estabelecimento não mantiver um controle rigoroso da higiene, poderá haver proliferação de ratos e baratas, vetores de diversas doenças, aumentando a chance de o trabalhador contrair uma leptospirose. Assim, não basta trabalhar com insumos que tenham sido aprovados numa inspeção prévia, mas também é importante que durante todo o processamento, os alimentos sejam manuseados em ambientes limpos, arejados e com temperaturas que não favoreçam o crescimento de bactérias e fungos. “A indústria deve também avaliar a contaminação desses ambientes de trabalho periodicamente, por meio das análises microbiológicas definidas na legislação”, afirma.

Além disso, segundo Reinhardt, devem ser instalados equipamentos de proteção coletiva onde forem necessários para evitar a disseminação de material biológico no ar, como coifas e exaustores. Onde for necessário, os trabalhadores devem usar o protetor respiratório apropriado e devem evitar todo e qualquer contato dos alimentos diretamente com a pele por meio de luvas e aventais.

Apesar de os microrganismos mais associados aos perigos biológicos serem as bactérias e os fungos, atualmente tem-se dado maior destaque a vírus, como o caso da febre aftosa ou da gripe aviária. “As medidas não são diferentes, pois as de proteção a agentes biológicos constituem-se sempre em bloqueio total da exposição: nenhuma exposição deve ser admitida. E esses bloqueios impedem tanto a exposição de bactérias e fungos quanto de vírus”, conclui.

 

 

2 Comentários

  1. julio

    Emily, boa semana pra você e todos os seus leitores!
    Acho mesmo que o setor de prevenção não dá muita importância aos riscos biológicos. quantos trabalhadores devem adoecer contaminados por esses riscos? matéria oportuna.

  2. Fabiano Dias

    Bom Dia

    Emily, sou Técnico de Segurança do Trabalho na cidade de Timbó – SC, ao quantificar os PPRA`s de manipuladores de alimentos sempre indico o EPC, Exaustores ou coifas e como EPI Luvas de Vinil, respirador conforme PPR, porem recebemos uma indicação da Vigilância Sanitária municipal que as luvas não podem ser utilizados pois faram contaminação cruzada sendo pior utilizar a luva.
    Por esse motivo a Vigilância esta obrigando a retirarmos as luvas dos PPRA`s.
    O que a senhorita acha dessa afirmação?

    Atenciosamente

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