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Chegou a primavera! É preciso cuidar dos trabalhadores de estufas de flores como se fossem rosas

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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Flores e proteção ao trabalhador (foto Elza Fiúza/ABr)

O uso de agrotóxicos é uma questão envolta em polêmicas. Até a palavra agrotóxico é contestada, à medida que denota um lado pejorativo, já que também pode ser usado o termo defensivo agrícola. No caso, “defender” a plantação de pragas e insetos é justo, mas aplicar um produto químico na agricultura, não. Cada lado defende seus próprios interesses. Já o meu é abrir espaço às questões relacionadas à saúde e segurança do trabalho.

Há um fato incontestável que, sem prevenção, a aplicação de agrotóxicos por trabalhadores os expõem aos riscos de doenças, quem sabe, até à morte. Por isso, é relevante divulgar a pesquisa de Paula Peixoto Monteiro Nassar, técnica da Fundacentro do Serviço de Agentes Químicos da Coordenação de Higiene do Trabalho, que defendeu sua dissertação de mestrado intitulada “Exposição ocupacional a agrotóxicos em estufas de flores e plantas ornamentais”.

Agora que a Primavera chegou, faz até mais sentido elevar o papel das flores na vida do ser humano. No entanto, o prazer de ter flores decorando o lar não pode ter como resultado trabalhadores contaminados por produtos que apresentam efeitos nocivos ao organismo humano. Daí o estudo de Nassar ter importância, pois, por meio de entrevista com 65 trabalhadores do setor, na maioria mulheres, foi possível atestar a necessária medida de prevenção.

O primeiro grupo de estudo atuava em atividades de manejo, que envolve poda, colheita e estaqueamento. A pesquisadora também entrevistou aplicadores de químicos e proprietários das estufas. Dado preocupante encontrado por Nassar: a maioria nunca recebeu informações sobre manuseio e descarte de agrotóxicos, danos à saúde pela exposição aos agrotóxicos e nunca leram os rótulos. Alguns trabalhadores relataram que já tiveram alguma intoxicação pelos produtos utilizados na atividade. Também foi realizada a análise de um valioso indicador da relação entre exposição a agrotóxicos e problemas de saúde, para saber o nível de enzima no sangue dos trabalhadores, chamado colinesterase. Pelo exame foi possível encontrar que alguns trabalhadores apresentaram redução de mais de 25%, que é o valor do índice biológico máximo permitido, conforme a NR7, que trata do Programa de controle médico de saúde ocupacional (PCMSO).

Segundo a pesquisa, observou-se que um dos problemas apontados é a falta de respeito ao intervalo de reentrada nas estufas, após a aplicação do produto. Esse intervalo compreende o número de dias ou horas entre o final da pulverização e a permissão para a entrada dos trabalhadores na área pulverizada sem riscos de exposição. Antes desse período, qualquer trabalhador que necessitar permanecer na área deverá utilizar EPIs da mesma forma que o recomendado para a aplicação do agrotóxico.

Segundo ela, a aplicabilidade da NR-7 e o estímulo ao monitoramento biológico de maneira adequada poderiam contribuir significativamente para a caracterização do risco e da vulnerabilidade dessas equipes. A pesquisa de Nassar é importante para que se ‘fotografe’ a realidade dos trabalhadores do segmento. Afinal, quem está envolvido com a aplicação de defensivos deve seguir rigorosamente todos os preceitos de segurança, além de ter plena conscientização sobre os perigos inerentes. O que não se pode admitir é a carência de treinamentos aos trabalhadores, para que saibam utilizar os químicos adequadamente.

Além disso, deve-se obedecer rigorosamente ao período de carência, após a aplicação, como também verificar as boas condições dos aparelhos de aplicação.

 

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