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Caso do Ninho do Urubu tem algo de parecido com a boate Kiss

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Uma tragédia que precisa de justiça (Foto Agência Brasil)
Paulo Carvalho e sua luta pela Justiça (Foto reprodução Facebook)

Mais um capítulo processual do incêndio no Ninho do Urubu, em que dez jogadores da base do Flamengo morreram e três ficaram feridos, em fevereiro. O Ministério Público do Rio (MP) devolveu na semana passada à Polícia Civil o inquérito, considerando insuficientes as provas para denunciar à Justiça os dez indiciados no caso, incluindo dirigentes do clube carioca.

Na minha avaliação, essa medida parecia prudente, já que o MP requeria que alguns aspectos fossem mais bem esclarecidos para a responsabilização penal dos dirigentes das instalações que pegaram fogo enquanto os atletas dormiam. Só que não. Para repercutir este fato recente, consultei Paulo Carvalho, pai de um jovem que morreu no incêndio da Boate Kiss, e que lidera a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, núcleo de São Paulo, que fez críticas duras ao Ministério Público naquela região. No caso do MP do Rio, Paulo também é incisivo ao afirmar que a decisão do órgão de devolver o inquérito à Polícia Civil mostra que se inicia mais um ciclo de impunidade envolvendo negligência por tragédias com fogo. “Como eu disse é, sim, o início do mesmo de tantas outras tragédias sociais e ambientais, porque as provas já estão lá, suficientes para o indiciamento”, afirma. Ele argumenta que são indícios documentais e testemunhais, que apontam para o dolo eventual, quando se assume o risco de causar danos às vítimas. “E nessa fase, em dúvida, beneficia-se a sociedade e somente no devido processo legal até o julgamento e caso permaneça a dúvida, seja pró-réu”, explica. Paulo expõe que no caso do Ninho do Urubu, os bombeiros não haviam liberado o local, e os responsáveis, a diretoria do clube, não atendeu o impedimento, e continuou com o local aberto para abrigar aqueles jovens.

“Sem dúvida, a Prefeitura também tem responsabilidade, que terá de se explicar no decorrer do processo”, diz. Para Paulo, eles assumiram o risco, quando há leis e normas que são desobedecidas e, como consequência, causam danos. “Quando disse que se inicia o ciclo da impunidade é o mesmo que aconteceu na boate Kiss, no edifício Paes de Almeida, o mesmo em tantos casos em que não se previne, seja fechando ou interditando, e desobedecendo as leis municipais dadas pelas licenças que regulam edifícios e habitações. Pedir mais provas agora do que já foi apurado é um péssimo exemplo. Denunciem e sigam juntos na obtenção de mais elementos. Com muita convicção mais gente vai aparecer envolvida, pública e privada”, revolta-se Paulo.

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