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Caldeiras a todo vapor! Com segurança, que mal tem?

É possível que engenheiros e acadêmicos me contestem pela afirmação que farei, mas não choramingo com críticas. Digo: a revolução industrial só foi possível graças às caldeiras. O equipamento está presente na maioria das indústrias de transformação. O vapor das caldeiras alimenta os processos de produção das indústrias. O avanço dos processos industriais obrigou que as caldeiras tivessem maior rendimento, menos consumo, rápida geração e grandes quantidades de vapores. São caldeiras de dimensões gigantescas, que precisam, inclusive, de edificações exclusivas. Agora, convenham: um dispositivo que pode ser comparado ao “coração” da indústria que transforma matéria-prima em produto, é natural que ofereça riscos. Quais são esses? Temperatura e pressão. O vapor que está sob pressão dentro da caldeira tem um enorme poder de explosão. O gás confinado vai comprimindo-se. Para gerar mais energia, a caldeira precisa de força de compressão. Porém, ao acontecer uma fissura do equipamento ou interrupção mecânica onde o gás está contido, a força faz com que todo o gás saia, pelo mesmo orifício e, então, dá-se a explosão. Há mais riscos relacionados à caldeira, como aquecimento do ambiente e até incêndio devido ao seu combustível. É o risco do anexo, podendo ser GLP, eletricidade, lenha, gás natural e óleo diesel. São todos riscos operacionais. Além disso, há os riscos ligados à manutenção. Explico: as peças pesadas, que precisam de levantamento por talha ou ponte rolante, que gera a ameaça de quedas e esmagamentos. Há mais perigos aos trabalhadores que exercem suas atividades em ambientes de caldeiras: problemas claustrofóbicos nos espaços confinados. Aí o suprimento de ar pode ser insuficiente e conter substâncias tóxicas.

Depois que tracei esse quadro temível, dou um refresco ao leitor: ao comparar o número de acidentes com o número de equipamentos em operação, a taxa é pequena. Ufa! Volto a assustar: o problema é que um acidente com caldeira provoca grandes estragos, materiais e humanos. No processo de gestão de SST em trabalho em caldeiras é essencial haver sistemas redundantes de segurança. Por exemplo, dois aparelhos de medição para comparar leituras. Numa inspeção de caldeira devem-se verificar as pressões de abertura e fechamento das válvulas. Saber ainda quando foram aferidas pela última vez. O instrumento de medir a pressão também deve ser regulado e receber manutenção para evitar acidentes. O modulador deve estar em perfeitas condições, pois a peça regula a pressão alta e baixa. No caso de desequilibro, este toma providências para voltar ao funcionamento normal de operação. O tratamento da água é outro ponto crucial para a segurança, pois se o uso da água estiver fora dos padrões pode causar danos ao funcionamento da caldeira. Depois desta minha “aula” de caldeira, passamos ao que importa neste blog: segurança. Os profissionais que operam as caldeiras precisam de todos os cuidados. O operador de caldeira precisa de formação para aprender os processos de operação. Há um curso de operador de caldeira previsto em lei (6514/77 e portaria 3214/78), a norma regulamentadora 13. Fazer curso de reciclagem é necessário também, para a atualização das novas tecnologias. A equipe de manutenção, mesmo não precisando de curso específico, deve ter conhecimento de equipamentos industriais. São esses profissionais que trocam as válvulas de segurança, pressostatos e drenos. Já o inspetor de caldeira é o técnico responsável, que deve ter formação em engenharia mecânica, e a NR 13 exige a presença desse profissional.

Ressalto, se a indústria que mantém uma caldeira não tiver um engenheiro mecânico, estará fora da lei. Com procedimentos de segurança em ordem, que se mantenham as caldeiras. Afinal, o Brasil está precisando sair desse processo de derretimento! Pronto, falei!

Por Emily Sobral

3 Comentários

  1. Walter

    Olá Emily. Gostei do assunto. Muito pouco se fala sobre a NR-13 e dos requisitos para segurança. Recentemente na Tupy de Joinville, SC, houve uma explosão de caldeira matando um operário. Queimaduras graves.
    É importante que os profissionais que fazer inspeções, emitam ART + Laudo com plano de ações para manutenção preventiva dos equipamentos. Muitas empresas não dão a devida atenção neste assunto. É realmente uma bomba relógio.
    Parabéns novamente pelo tema abordado.

    Walter Luís Künzel
    B&K Engenharia

  2. Roberval

    O engenheiro mecânico para atender a lei também deveria ser de segurança do trabalho aí está completo.
    Uma manutenção preventiva evita o acidente.Tive a oportunidade de ter como colega de turma o engenheiro Nei Prieto que reconheço uma das principais autoridade nessa área.proprietário da Sebserve. (prevenir é melhor que remediar)
    Emily parabéns pela matéria esclarecedora.

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