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Brumadinho e CT do Flamengo. Qual a lição a ser tomada?

Hoje, sexta-feira, cedo espaço para Leandro Melero, analista de segurança do trabalho na Porto Seguro, que me substitui no lavor diário, trazendo um texto original e opinativo. Com o post, Melero faz uma excelente reflexão sobre a negligência, que é bem diferente de fatalidade.

Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Por Leandro Melero

Faltou segurança contra incêndio no Ninho do Urubu? (Foto Tomaz Silva / Agência Brasil)

Em tragédias de comoção nacional como as do Córrego do Feijão em Minas Gerais e Ninho do Urubu no Rio de Janeiro, quase que automaticamente somos levados a algumas indagações. Afinal, por que acidentes acontecem? Como poderiam ser evitados? Qual o limite entre o certo e o errado para melhor empenho de medidas protetivas?

Denúncias indicam que a Vale conhecia os riscos de colapso da barragem de Brumadinho desde outubro de 2018. O rompimento ocorreu em 25 de janeiro de 2019.

Documentações indicam irregularidades nas construções dos alojamentos no CT do Flamengo que vitimaram 10 atletas da base juniores. Existem evidências de descaso dos pré-requisitos legais de combate a incêndios pelo clube, bem como a omissão do poder público na fiscalização do local.

Na literatura técnica existem diversas metodologias que auxiliam na determinação de medidas de proteção. No entanto, gostaria de dissertar em outro sentido.

Alguns acidentes ocorrem inesperadamente, são inconstâncias inevitáveis de força maior, predisposições adversas, infortúnios decorrentes de eventos naturais, com os quais, a interferência humana de nada vale, podemos exemplificar para esses casos os terremotos, furações etc. A esses fatores classificamos as “fatalidades.”

Do contrário, quase sempre tragédias e acidentes são causados pela inobservância das normas de segurança, inexistência de aprendizado com erros do passado, inadvertência aos fatores indicativos de problemas, imperícia técnica, desprezo com o patrimônio alheio, meio ambiente e irrecuperáveis perdas de vidas humanas, muitas vezes, motivadas pela ganância e futilidade. A “negligência” é tudo isso e muito mais!

Um dos pilares conceituais da prevenção possui a prerrogativa da busca de soluções para eliminação dos acidentes, não culpados. No entanto, se as fontes geradoras de acidentes forem pessoas ou instituições, fica claro que estes agentes deverão sofrer intervenções para que os prejuízos materiais e humanos deixem de existir. Não podemos criar a cultura da impunidade, que incentiva o enriquecimento ilícito de poucos à custa das vidas de muitos. Como poderão se proteger se não conhecem os riscos? Como as empresas determinarão as medidas de controle necessárias se ignoram os perigos existentes?

Para encerrar, permito-me a citação de Mário Sergio Cortella em um trecho de pensamento muito oportuno que sintetiza claramente onde devemos direcionar esforços de prevenção:

“Erro é pra ser CORRIGIDO, o que deve ser punido é a negligência, desatenção e descuido. Ai você diria, então nós aprendemos com os erros? NÃO…Nós aprendemos com as correções dos erros.”

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

3 Comentários

  1. José Angelo Brandão

    Leandro; bom dia! Parabéns pelo texto e considerações.

    Perdi recentemente 02 amigos na Tragédia de Brumadinho; também sou profissional de SSMA e posso lhe dizer que para quem prega o “Cuida Ativo e Genuíno” como citado na Politica de Saúde e Segurança da VALE; perdemos o alvo ou a essência: que deve ter sempre “A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR “.

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