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Atuais condições de saúde ocupacional dos caminhoneiros

A reação da sociedade diante da greve dos caminhoneiros e as concessões feitas pelo governo mostram que o Brasil está revoltado. Além da questão financeira, há um aspecto crucial na vida dos profissionais que cortam as rodovias do País, transportando o PIB nacional. Melero, profissional competente na área de saúde e segurança do trabalho, escreve sobre o que todos devemos saber: os caminhoneiros demonstraram que estão à beira de um ataque de nervos, ou seja, doentes. Melero explica aos nossos leitores que a saúde desses profissionais vale mais do que o custo do diesel. Leia o texto hoje, recomendo.

Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Por Leandro Melero

A saúde e a segurança dos caminhoneiros são pontos a serem discutidos pela sociedade que apoiou a greve (Antônio Cruz/ABr)

Diante do caos social, financeiro e político causado pela greve dos caminhoneiros em todo o Brasil, encerrada na semana passada, importante destacar as principais reivindicações financeiras de seus representantes ao governo.

Dados do Anuário Estatístico da Previdência Social demonstram números alarmantes para os motoristas profissionais em nosso país. Dos anos de 2011 a 2015, o transporte rodoviário de cargas foi responsável por 81.997 acidentes de trabalho, uma média de mais de 17 mil por ano. Estatísticas da previdência ainda apontam que no mesmo período morreram aproximadamente 2.780 trabalhadores do transporte terrestre, e 5.400 ficaram com sequelas permanentes.

O excesso de jornada de trabalho figura como uma das principais causas de adoecimento dos profissionais caminhoneiros. Problemas como stress, posturas ergonômicas inadequadas, doenças cardíacas, distúrbios do sono e má alimentação também contribuem para as estatísticas negativas. Esses problemas de saúde ainda refletem diretamente sobre causas de acidentes rodoviários, envolvendo motoristas comuns, tornando as estradas palco dos resultados da má administração de saúde ocupacional dessa classe de trabalhadores.

A lei 13.103, de 2015, para a profissão, demonstra o esforço do governo federal para estancar o grave problema social causado pela precariedade de trabalho desse setor. No entanto, a norma privilegia apenas os motoristas profissionais empregados, deixando muito a desejar quanto aos trabalhadores autônomos.

Mediante todos esses fatos, observamos que a saúde dos caminhoneiros e motoristas profissionais em geral, merece uma discussão tão destacada quanto a política de preços de combustíveis, reconhecendo a importância do setor para a economia do País, sem esquecer que a saúde e a vida deverão ser sempre as prioridades.

 

 

2 Comentários

  1. Jorge Nascimento

    As reivindicações dos caminhoneiros foram legítimas, mas a integridade física e mental também deve entrar no foco das discussões.

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