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Ato inseguro ou multicausalidades?

Hoje, em função do grave acidente com dois trens que se chocaram de frente na altura da estação São Cristóvão, no Rio de Janeiro, cedo espaço para Leandro Melero, analista de segurança do trabalho na Porto Seguro, que me substitui no lavor diário, trazendo um texto original e explicativo. Com o post, Melero faz uma excelente reflexão sobre as possíveis causas desse acidente com o maquinista da Super-Via, que morreu ontem, depois de tentativa de resgate.

Emily Sobral Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Por Leandro Melero

 

Bombeiros resgatam maquinista que não resistiu aos ferimentos do acidente de trem. Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

A colisão entre trens deixa oito feridos e termina com morte de maquinista na zona norte do Rio de Janeiro. Não, esta não é uma notícia do século passado. Em pleno 2019, com todos os recursos tecnológicos do nosso tempo, ainda acontecem acidentes deste tipo, infelizmente resultando a morte de mais um trabalhador, depois de um resgate dramático que durou cerca de sete horas.

Como sabemos, na maioria das vezes os acidentes não acontecem por acaso e, mais uma vez, a SuperVia, concessionária administradora do trecho onde ocorreu o acidente, torna-se notícia por letalidade em suas operações.

Os trens da morte, apelido dado pelos usuários para a SuperVia, foram responsáveis em 2018 por 210 lesões corporais e 66 homicídios causados por atropelamento ferroviário.

Quem utiliza o sistema reclama da falta de sinalização, espaço largo entre o vão da plataforma e as composições, falta de preparo dos funcionários e terceiros na interação com a população, trens com mais de 30 anos de uso, desorganização institucionalizada, fatores que, segundo os passageiros, são os principais causadores dos acidentes.

A SuperVia informou que irá instaurar uma comissão de sindicância para apurar as causas do acidente desde ontem, 27/02. Pelo histórico de nosso país, algumas empresas costumam colocar a culpa do acidente em seus trabalhadores, o famoso “ato inseguro”. Mas não é de hoje que sabemos que um acidente de trabalho pode ocorrer por “multicausalidades”. É quando questionamos se o acidente foi causado pela imprudência do trabalhador ou por falta de adoção de processos de medidas de controle pelo empregador.

Aí alguns podem dizer, a culpa do acidente é do trabalhador que continuou acelerando em um trecho que deveria reduzir a velocidade. Neste momento indagamos: havia sinalização no local? Os procedimentos de segurança possuem critérios de padronização? Os trabalhadores foram treinados? A documentação de saúde está em dia? Há treinamentos periódicos para as atividades desenvolvidas? Estas e outras mais perguntas deverão ser consideradas em uma investigação justa com visão de prevenção de novos acidentes.

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

Um Comentário

  1. Joyce Carvalho

    A Super Via deveria perder a concessão para explorar a malha ferroviária do Rio. Péssima empresa e, com certeza, o maquinista foi vítima de falta de procedimentos e irresponsabilidades.

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