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Atividade da baiana de acarajé será incluída em Classificação Brasileira de Ocupações

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Fazer acarajé gera risco de acidentes às baianas (Foto Pixabay)
Ofício da baiana de acarajé será incluído como profissão (Foto Pixabay)

Ora vejam, o acarajé é uma iguaria da culinária baiana extremamente popular. Vai à Bahia? Experimente um acarajé, de preferência, feito por uma baiana ‘famosa’ do Largo da Mariquita, no Rio Vermelho.

Composto de massa de feijão fradinho, cebola e sal frito no azeite de dendê, o acarajé é bom demais! Em 2012, as baianas do acarajé foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial da Bahia pelo ex-governador Jaques Wagner, tendo seu ofício incluído no livro de Registros Especial dos Saberes e Modos de Fazer.

Mas poucas pessoas sabem e nem querem saber que um ofício tão antigo, que gera renda às trabalhadoras, além de estimular o turismo baiano, não é considerado como profissão. Isso, parece, vai mudar. Um grupo de estudos iniciou, em junho, e deu o primeiro passo para o reconhecimento do ofício da baiana de acarajé como profissão, que precede a inclusão na lista de Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério do Trabalho.

Segundo a superintendente Regional do Trabalho na Bahia, Gerta Schultz, serão realizados encontros entre um grupo de baianas de acarajé e técnicos da Universidade de São Paulo (USP), responsáveis por elaborar a redação que servirá para a inclusão no catálogo. As baianas mais experientes vão descrever todo procedimento adotado para fazer o acarajé, e sua origem.

Trago hoje esta pauta, não apenas porque sou fã da iguaria ou das baianas, mas porque ao incluir a baiana de acarajé em Classificação Brasileira de Ocupações, as trabalhadoras estarão cobertas por direitos relativos à saúde e segurança do trabalho, que é um dos temas deste blog. Elas poderão afastar-se (eles também, pois há ‘baianos de acarajé’) por acidente de trabalho, algo que hoje não é possível, já que a profissão não é reconhecida. Imagine o dendê fervendo espirrar nos olhos de uma trabalhadora? É cegueira na certa. Sim, Rita Santos, presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivo da Bahia (Abam), conta que há um caso de uma baiana cega por causa de dendê, e ela não pode nem se aposentar, porque alegam que não é acidente de trabalho. Como profissão, os trabalhadores vão poder cobrar políticas públicas em relação à segurança do trabalho.

O cuidado com a saúde no exercício laboral é um enorme bem à saúde e qualidade vida dessas pessoas. É, sem dúvida, uma pauta da Superintendência Regional do Trabalho da Bahia de extrema prioridade. Demorô!

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