• Extingue
    Extingue
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Assédio moral por ócio, que não é o criativo, gera indenização

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

O assédio moral mostra-se por meio de todo tipo de humilhação (Foto Pixabay)

Abordo um tema hoje que pode parecer um paradoxo. Trata-se do ócio, que o professor e sociólogo italiano Domenico de Masi, na década de 90, cunhou com a expressão ‘ócio criativo’, uma maneira inovadora de definir o trabalho. Para ele, o ócio pode gerar produtividade e ter algum significado, pois como sinônimo de vagar e lazer aumenta a criatividade, tendo potencial para melhorar a produção no trabalho.

E o que tem a ver o ócio com o tema deste blog? Explico, pois repercutirei uma decisão da Justiça trabalhista que condenou uma empresa ferroviária a pagar R$ 100 mil a uma empregada que foi posta à margem das tarefas, ociosa no serviço. A funcionária entrou na Justiça, pois a companhia a colocava isolada numa sala suja, sem água ou café, distante dos outros colegas. Durante o processo, a mulher relatou que foi transferida de São Paulo para Campinas e alocada em uma sala, apelidada de ‘aquário’ e ‘pavilhão 9’. Muita bizarrice, não é? Nesse caso, parece-me que não se trata do ócio criativo de Domenico, mas sim de um caso de assédio moral. Afinal, por que a empresa tratou a empregada dessa forma, se teria sido mais decente demiti-la, em vez de humilhá-la todos os dias, esvaindo a força produtiva que ela tinha? Porque ela tinha estabilidade no emprego, pois a companhia fora do Estado, e tinha sido privatizada. A empresa chegou a mantê-la num antigo depósito, “local ainda pior (…), um porão onde havia até fezes de ratos”, mostraram os autos do processo. Ainda mais: os patrões a proibiram de ter contato com outros empregados. Devido à situação, ela recebeu o apelido de “javali”, utilizado para designar o empregado que não vale mais nada para a empresa, enquanto outros a chamavam de “4.49”, em referência à cláusula do contrato coletivo que garantiu a estabilidade à trabalhadora.

Condenada em primeira instância, a empresa recorreu ao Tribunal Regional da 15ª Região e, por fim, ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que decidiu fixar o valor indenizatório em R$ 100 mil. Neste caso, fica claro que a companhia não estava estimulando o ócio criativo da empregada, mas ridicularizando-a.

2 Comentários

  1. Márcia Leão

    Absurdo! Muita humilhação! Ela teve coragem de procurar a justiça, mas quantos “casos” desse tipo não chegam ao conhecimento da população? Ela foi indenizada, mas não tem dinheiro que pague o sofrimento e as lembranças ruins que a acompanharão para o resto da vida.

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.