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Armazenamento de grãos em silos não pode ser vulnerável às explosões

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Armazenamento de grãos requer cuidados (Foto Pixabay)

Atualmente, o Brasil produz mais de 200 milhões de toneladas de grãos e fibras. A expectativa é de que, nos próximos anos, o País lidere a produção em relação aos outros países do mundo. Mas, para atingir o topo do ranking, o desafio não está apenas em produzir mais e melhor, há um calcanhar de Aquiles nesse processo: o armazenamento. Isso porque os grãos depositados nos silos são suscetíveis à formação de poeiras, que originam as chamadas ‘atmosferas explosivas’.

Os especialistas lembram que os grãos secos geram partículas finas, a poeira, que, numa concentração elevada e misturada ao oxigênio do ar, quando em contato com uma fonte de ignição, pode desencadear a explosão. Não faltam registros de acidentes em terminais de armazenamento de grãos por todo o território brasileiro. Para combater tragédias em silos, os diretores industriais precisam adotar estratégias de prevenção. Primeiramente, deve-se cumprir a norma ABNT / NBR 16.385 de 2015, que mantém requisitos para a fabricação, processamento e manuseio de partículas sólidas combustíveis. Também é recomendada uma análise de risco, para avaliar e controlar o nível de poeira acumulada dentro dos silos. É preciso conhecer as características do produto a ser armazenado no local e, principalmente, sua concentração.  O acúmulo de poeira com potencial de explosão está entre 30 e 40 gramas por metros cúbicos. Outro aspecto relevante é manutenção preventiva, para garantir a fiabilidade dos sistemas de supressão, que é um conjunto automático de combate a incêndio. Esse sistema é instalado em máquinas do silo, como secadores, trituradores, coletores de pó, transportadores, entre outros. É evidente que para se proteger os ambientes de silos deve-se contar com profissionais capacitados e certificados em atmosferas explosivas. São eles que podem interpretar o processo industrial e propor um sistema de proteção específico a cada ambiente.

Não se pode combater o risco de explosão em silo copiando um padrão como se fosse uma receita de bolo.  Paulo Raña, engenheiro e representante da empresa espanhola ADIX, especializada na prevenção de explosões e proteção de pessoas e ativos, explica que hoje há inúmeras tecnologias de segurança contra explosão. No caso do dispositivo de proteção passiva, as ‘janelas de alívio’, que costumam ser instaladas no topo do silo, são os mais conhecidos equipamento de proteção. Quanto à supressão ativa da explosão, há equipamentos que permitem detectar e suprimir a combustão de uma atmosfera explosiva em seu estágio inicial. “Determinar as diretrizes técnicas de segurança para o armazenamento de grãos é responsabilidade dos profissionais envolvidos com atmosferas explosivas”, conclui Raña.

 

3 Comentários

  1. Victor Louzada

    o País conta com profissionais envolvidos com atmosferas explosivas capazes de prevenir esses centros de armazenamento. não contrata quem é irresponsável. #prontofalei.

  2. A. Kelper

    Muito importante ressaltar que “Não se pode combater o risco de explosão em silo copiando um padrão como se fosse uma receita de bolo”, porque o que mais vemos são documentos de classificação de áreas reproduzidos incorretamente para as mais diversas situações e empresas. Uma vez que com informações erradas a segurança da planta fica comprometida, não admira tantos eventos de explosões ocorrerem no país. Um trabalho que descreve este perigo de classificações erradas, pode ser adquirido em: http://ieeexplore.ieee.org/document/7327145/

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