• Vakinha
    Vakinha
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Amianto no banco dos réus; mas PPR é preciso

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

No caso do amianto nem proteção respiratória resolve (Foto Pixabay)

Aproveito que o uso e a comercialização do amianto entraram em evidência no País, pois, em agosto, o STF (Supremo Tribunal Federal) manteve a proibição da substância em São Paulo, para colocar em foco o Programa de Proteção Respiratória (PPR).

Antes, porém, lembro que o amianto, também chamado de asbesto, é um material reconhecidamente cancerígeno, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), que é usado na fabricação de telhas e caixas d´água. Trabalhadores que respiram o amianto estão correndo sérios riscos de desenvolver graves doenças.

Durante o embate entre os defensores do banimento ao amianto e as indústrias que utilizam o produto como matéria-prima, uns dos argumentos patronais era que a gestão de proteção aos seus trabalhadores, por meio do PPR, seria eficaz e suficiente. Para quem luta pela proibição ao amianto, não há máscara de proteção respiratória capaz de proteger o trabalhador exposto ao asbesto. Muito bem. Sabemos que há no cenário industrial brasileiro inúmeras matérias-primas que são prejudiciais quando inaladas pelos empregados. É para esses casos que existe o PPR, documento de gestão em saúde ocupacional, que deve ser posto em prática de forma rigorosa.

O objetivo do PPR é fazer um monitoramento da saúde dos trabalhadores expostos a poeiras, vapores orgânicos, fumos metálicos, névoas etc. Primeiramente, resta às empresas garantir a adequada condição do ar em qualquer ambiente de trabalho. E o cuidado começa no controle da qualidade do ar, inclusive, por meio da priorização dos equipamentos de proteção coletiva (EPC), como é o caso dos exautores.  Quando o EPC não é viável ou até que seja implantado, deverão ser adotados os equipamentos de respiração respiratória. Porém, isso passa por uma etapa fundamental, que é assegurar o uso correto das máscaras pelos trabalhadores. O uso inadequado da máscara de proteção respiratória em ambientes que apresentem concentrações perigosas de contaminantes coloca em risco a saúde dos trabalhadores, igualmente como se estes não estivem usando nenhuma proteção. Ou seja, usar equivocadamente uma máscara ou não usá-la, as consequências negativas serão as mesmas. Mas, o PPR inicia-se pela avaliação médica de cada trabalhador que irá laborar em ambiente com contaminantes. Em seguida, verifica-se a concentração do contaminante no ambiente para, finalmente, selecionar o respirador adequado. É muito importante que o trabalhador participe da seleção do respirador para verificar se este vai adaptar-se bem à sua face. Isso deve ser feito por meio de ensaio de vedação. Para não esquecer: onde há necessidade de utilizar uma proteção respiratória deve-se fazer o monitoramento. Além de fornecer a proteção respiratória, a empresa deve fazer avaliações quantitativas dos produtos químicos, seguir os procedimentos para o fornecimento das proteções respiratórias, dar treinamento aos empregados e, claro, não podem faltar os ensaios de vedação desses respiradores. Procedendo de forma legal e correta, os pulmões dos empregados tendem a ser mais preservados. O que não é o caso do amianto!

2 Comentários

  1. Jairo Almeida

    O maior problema do PPR é na escolha adequada da máscara. O equipamento que não se posiciona bem no rosto do trabalhador, não será eficaz, e ele continuará inalando os contaminantes.

  2. Robson Eliandro Serqueira

    Não há mesmo máscara de proteção respiratória que proteja contra a exposição ao asbesto. Ele já foi banido de países civilizados há muito tempo.

Deixe uma resposta



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.