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Alerta nos serviços de saúde! Trabalhadores acidentados com perfurocortantes não fazem o acompanhamento devido

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Acidentes com perfurocortantes precisam de acompanhamento (Foto Pixabay)

Não é incomum que os profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, sofram acidentes. Aliás, a norma regulamentadora 32 (NR 32), em vigor desde 2005, foi criada para cuidar da segurança de trabalho nos estabelecimentos de saúde. E um dos principais riscos é o contato com o sangue e fluidos biológicos contaminados, o que é uma das causas dos acidentes. Esses profissionais podem contrair até 20 doenças, como as hepatites e o HIV. Entre 2010 e 2015, o Ministério da Saúde registrou mais de 270 mil casos desses acidentes, o que significa, em média, 85 casos por dia.

Segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesse tipo de ocorrência o trabalhador deve passar por um acompanhamento médico durante, pelo menos, seis meses. Mas o que foi demonstrado por pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é que muitos desses profissionais contaminados abandonam o tratamento, ou mesmo nem o iniciam. Ou seja, ignoram a ordem do médico. A OMS considera os acidentes de trabalho com exposição a fluidos biológicos um problema de saúde pública. Não deixo de lembrar o velho dito popular: “Em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Quer dizer que o profissional de saúde que costuma recomendar uma conduta médica, não usa desta orientação em favor próprio. Que coisa.

Já imaginou um cirurgião acidentar-se com o sangue de um paciente HIV positivo e não fazer o acompanhamento clínico-laboratorial, com exames periódicos e consultas médicas, como recomenda o protocolo? Seria muita irresponsabilidade, o que demonstra uma desconexão com o que se prega sobre as condutas preventivas.

Os acidentes com material perfurocortante são bastante comuns. E o comportamento de descaso também. Além disso, ninguém deve fazer o acompanhamento após o acidente por conta própria, já que há a chamada janela imunológica. Ou seja, pode ser que na hora o resultado seja negativo, mas dali a 30 ou 180 dias a doença se manifeste. Outro aspecto importante é que, sem acompanhamento conforme o protocolo, o profissional não consegue provar o acidente de trabalho nem garantir direitos previdenciários pelo INSS.

O não acompanhamento reflete ainda a subnotificação dos casos envolvendo os acidentes de trabalho com profissionais de saúde. Sem mostrar a realidade desses acidentes, fica mais difícil obter investimentos para a segurança do trabalhador e criar mais programas de prevenção.

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