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Agrotóxico na berlinda: faz mal à saúde do trabalhador ou ajuda a alimentar nações?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Trabalhador rural é exposto ao risco do agrotóxico (Foto Pixabay)

Hoje, o objetivo não é desafiar nem defensores nem contrários ao uso do agrotóxico na agricultura e os riscos aos trabalhadores rurais, mas colocar em pauta uma polêmica. Há uso seguro do agrotóxico? Será sim e não? Este tema é relevante e contraditório, porque falamos do setor do agronegócio, um dos poucos em que o País ostenta excelentes posições no ranking mundial.

A estimativa da safra 2016/17 de grãos pode variar de 210,9 a 215,1 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em relação ao emprego, em 2016, o saldo de vagas no campo foi positivo em 97.778 vagas de janeiro a julho. Sabemos ainda que não se pode desprezar a agricultura familiar, que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa 84% dos estabelecimentos agropecuários e responde por aproximadamente 33% do valor total da produção do meio rural. Contra fatos não há como simplesmente ser taxativo, afirmando que, por não haver uso seguro do agrotóxico, este deve ser banindo. Guardadas as devidas proporções, é como se uma lei impedisse que operários da construção civil trabalhassem em edificações verticais altas, pois há risco de queda.  Mas volto à questão do agrotóxico e seus riscos. Os agrotóxicos agrícolas são substâncias químicas capazes de controlar as pragas nas lavouras.  Para o trabalhador rural que aplica a substância, é claro que há riscos, tanto de intoxicação aguda, como efeitos futuros graves, como o câncer.  Por isso é que existe regulamentação federal que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins.

O jornalista Nicholas Vital, autor do livro “Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo”, obviamente um defensor do uso do defensivo agrícola, acredita que, com educação, os produtores saberão fazer uso do químico com segurança. Já o farmacêutico e pesquisador Pedro Henrique de Abreu, que defendeu dissertação de mestrado sobre a viabilidade do uso seguro de agrotóxicos, é taxativo ao afirmar que não é viável, especialmente ao pequeno agricultor, cumprir as inúmeras e complexas medidas de “uso seguro” de agrotóxicos em seu contexto socioeconômico. “Esse trabalhador não está preparado para lidar com a quantidade de normas para a sua segurança, uma vez que precisará preocupar-se com a aquisição, transporte, armazenamento, aplicação e lavagem dos EPIs e descarte das embalagens”, explica Abreu. Ele lembra que, segundo dados do Ministério da Saúde, são registrados 400 mil casos de intoxicação e quatro mil mortes por intoxicação de agrotóxicos por ano.

Mas, segundo o próprio ministério, estima-se que, para cada caso notificado, haja 50 não notificados. Também o Instituto Nacional do Câncer (INCA) já comprovou por meio de pesquisas que o uso do defensivo químico está relacionado ao surgimento de câncer em trabalhadores rurais. Por sua vez, as indústrias afirmam que é difícil provar que a doença do homem do campo tenha como nexo o uso do pesticida. Vital aposta que uma eficiente fiscalização no meio rural e na loja que vende o produto sem receituário haveria maior prevenção em relação aos danos negativos à saúde humana. “Agrotóxico é igual a remédio: para comprar, tem que haver um receituário agrônomo, no qual estará descrito o equipamento de proteção adequado para o trabalhador usar durante a aplicação, mas menos de 15% usam no Brasil, e precisa seguir à risca a cartilha de proteção”, acredita Vital. “O trabalhador rural está escravizado pelo uso do agrotóxico”, garante Abreu. E a polêmica vai continuar…

4 Comentários

  1. Lia Fernandes

    O problema é que, no Brasil, o consumo de agrotóxicos aumentou muito nas últimas décadas, tornando-se um dos líderes mundias nesse uso. Assim, deve-se aumentar a preocupação com os trabalhadores com lidam com esses químicos. os que estão mais expostos são os da agricultura familiar. Boa a abordagem do post.

  2. Joelson Nunes

    Os trabalhadores precisam de mais informação sobre proteção e segurança. Esse é o grande problema. discordo do pesquisador, quem trabalha no campo precisa estar preparado para lidar com sua própria proteção.

  3. Leandro

    O problema inicial está na forma confusa que tratam este agente de risco. Sempre surgem as perguntas: Deve ser tratado como todo risco químico, ou como remédio? FISPQ ou bula?
    Boa parte da fatia da produção rural vem de subprodutores familiares, com grande dificuldade na compreesão dos conteúdos complexos dos rótulos anexos as embalagens, feitos para os farmacêuticos e engenheiros agrônomos das grandes coorporações. Isto quando no produto não está escrito para procurar informações na internet! Rsrsrs Complicado!

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