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Agrotóxico: entre o saudável e o nocivo

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Pode ser que o tema não desperte o interesse das pessoas bem alimentadas, mas o relatório do Instituto Nacional do Câncer (INCA) que aponta que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo é algo preocupante. Em especial, ao trabalhador. É evidente que quem labora no campo, fazendo a aplicação dos pesticidas contra pragas nas culturas agrícolas, está exposto e pode sofrer consequências para sua saúde. Se para quem come verduras há riscos de desenvolver doenças, imagine ao trabalhador que é obrigado a manusear os agrotóxicos?

O risco de intoxicação pelos produtos é basicamente pela pele, e em cada substância há uma toxidez, na qual se devem utilizar medidas profiláticas. Também pode haver dano à saúde pela via respiratória. Mas a contaminação dérmica ainda é a que predomina. Para mitigar os efeitos nocivos, o uso de equipamento de proteção individual (EPI), bem como medidas de proteção coletiva fazem parte das ações preventivas. A partir da regulamentação da NR 31, em 2005, que trata dos trabalhos na agricultura, pode-se dizer que, ao menos, a eficiência dos EPIs para a proteção contra o pesticida mantêm um lastro. Trata-se do fato de que a vestimenta de proteção, para ser comercializada, precisa de CA (Certificado de Aprovação), emitido pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, que será obtido pelo fabricante apenas se este atender aos requisitos da norma ISO 27.065, específica à aplicação de agrotóxicos líquidos. Essa norma estabelece ensaios de penetração e permeação às substâncias, sendo obrigatório que a vestimenta seja testada em laboratório acreditado. Quando o tema de SST está em pauta, sabemos que o trabalhador não será protegido unicamente pelo EPI, mas, sim, por uma gestão responsável, que inclua treinamento para seu uso correto. Por exemplo, sem higienização, a vestimenta pode ser contaminada e gerar mais problema do que proteção.

Avental, luvas, botas de borracha e perneiras completam os EPIs indispensáveis aos trabalhadores do agronegócio. O padrão de segurança do trabalhador do campo está obviamente relacionado à observância de normativas técnicas para a fabricação dos EPIs. Mas, com certeza, o comportamento e o valor dado à segurança valem bem mais. Grandes e médios produtores rurais podem contar com profissionais voltados à saúde ocupacional, que analisam as características de proteção necessárias às diversas culturas, especificando qual o melhor EPI. Já os pequenos produtores rurais, em número significativo nos terrenos agrícolas brasileiros, não contam com recursos financeiros para produzir com segurança. Aí, infelizmente, a contaminação por agrotóxico tende a ser de grandes proporções. Além disso, não posso deixar de tocar num ponto ainda mais crítico: cadê a fiscalização do governo, para exigir o uso do EPI? Quer dizer, o Brasil já detém normas, laboratórios e tecnologia de ponta, mas ainda não atingiu a nota 10 em prevenção contra doenças e acidentes de trabalho.

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