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Afundar num ‘mar’ de grãos é apenas um dos riscos em silos

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Risco no ‘mar’ de grãos em silos (Foto Pixabay)

Posso afirmar, sem medo de parecer convencida, que há quase três anos escrevo sobre os riscos dos silos que armazenam grãos.

Em função da categoria de áreas classificadas deste blog, venho insistentemente expondo os perigos dos armazéns de grãos. De fato, é o agronegócio brasileiro que ajuda a nação a sair do pântano em que se encontra faz tempo. Mas estocar os grãos que alimentam o povo precisa de mais competência e preparo com a vida humana.

Por que abro este post com essa contundência sobre os silos? Porque na semana passada, a rede BBC divulgou uma matéria exclusiva sobre as mortes de trabalhadores soterrados em armazéns de grãos. Quando uma mídia desse tamanho prepara uma grande reportagem sobre um determinado assunto é porque o buraco é bem mais em baixo, não é? Acidentes em armazéns agrícolas têm sido frequentes. Obviamente não há estatísticas oficiais precisas sobre mortes em armazéns de grãos no Brasil. Porém, em 2017, o ano com mais acidentes fatais, houve 24 mortes, alta de 140% em relação ao ano anterior. Já em 2018, até julho, houve 13 ocorrências.

Os Estados que tiveram mais casos são os mesmos que lideram o ranking de produção de grãos: Mato Grosso (28), Paraná (20), Rio Grande do Sul (16) e Goiás (9). O tipo de acidente mais comum tem a ver com o afundamento do trabalhador que fica encoberto por várias toneladas de soja, por exemplo, o que o faz morrer asfixiado em poucos segundos. Isso mostra a falta de treinamento e preparo para adentrar um local com estruturas metálicas para represar os produtos agrícolas.

Ora, ao caminhar sobre a massa de grãos, o empregado deve estar preso por cordas a um sistema de ancoragem. Mas será que, na prática, isso vem ocorrendo? Encerro lembrando ainda que os silos podem ainda explodir se tiverem grande quantidade de pó de cereais – material que se transforma em combustível quando em contato com superfícies muito aquecidas ou faíscas. Tanto que as normas de segurança em silos incluem o uso de sistemas de ventilação e de detecção de gases tóxicos.

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

2 Comentários

  1. França del Priori

    Empresa que sabe fazer uma boa análise de risco, e coloca em prática a gestão de segurança, esse tipo de acidente não acontece. isso é negligência.

  2. Melero Channel

    Muito bem lembrado Emily! Devemos dar uma atenção especial a esta categoria de trabalhadores quase esquecida por nossos governantes!

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