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Afastamentos médicos em 2015 mostram que empresas não investem em saúde do trabalhador

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

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A dor lombar foi o que mais gerou afastamentos do trabalho Foto Agência Brasil

Não é porque temos uma horda de insensatez no País, que não vamos apostar no melhor, que é a prevenção contra doença e acidentes do trabalho. Este é o objetivo do blog. E por que volto a insistir que o que vale é a prevenção? Ou melhor, o que está faltando é o cuidado na gestão de pessoas. As estatísticas comprovam que as empresas não estão tomando as providências necessárias para que não haja tanto trabalhador afastado por doença.

Um levantamento feito pela Gesto Saúde e Tecnologia, que gerencia dados de saúde corporativa, e que administra um banco com dois milhões de vidas (número maior do que a população de 95% das cidades brasileiras), revelou que pelo terceiro ano consecutivo a dor lombar baixa foi o motivo declarado que mais afastou os empregados das suas atividades profissionais em 2015. Sãos trabalhadores que ficaram, em média, dois dias ausentes. Levando em consideração a quantidade de dias úteis, é como se três pessoas ficassem sem trabalhar durante todo o ano, em média. Com isso, pergunto: onde estão os programas de ergonomia aos empregados de indústrias, comércio e serviços, apenas para abranger número razoável de ambientes laborais? Ergonomia não constitui erudição científica. A ergonomia quando aplicada aos ambientes de trabalho, com medidas que facilitam as atividades de forma mais segura, promove bem-estar e previne doenças osteomusculares.

Muito provavelmente, a dor lombar vence nesse ranking, por causa da exposição do trabalhador ao risco funcional. Cadê a análise ergonômica que as consultorias ou serviços especializados em engenharia e medicina do trabalho devem fazer para identificar no contexto do trabalho quais os possíveis problemas que levariam um empregado a desenvolver doenças musculares? O levantamento traz outras causas de afastamentos, como a diarreia e a gastroenterite de origem infecciosa, que responderam por 4% do total de atestados do ano e afastou aproximadamente 12% dos funcionários. A dor articular figurou pela primeira vez no ranking, com 3% dos atestados, o que ocasionou o afastamento de 4% dos trabalhadores por um período de até três dias.

Em 2014, o quinto lugar, que era ocupado pela cefaleia (dor de cabeça) foi substituído pela dengue. Desde 1990, até então pior epidemia de dengue no País, em 2015, a doença subiu 36 posições e ficou entre as principais que causam afastamentos não previdenciários (ou seja, de até 15 dias, pagos pela empresa).

Osny Telles Orselli, engenheiro mecânico e de segurança do trabalho e professor de ergonomia, já disse neste blog que a análise ergonômica do trabalho é multidisciplinar, em que os engenheiros medem as alavancas, os esforços e os resultados pontuais. Os médicos e os fisioterapeutas conhecem as condições físicas humanas, para juntos resolverem como prevenir e dimensionar cada tipo de trabalho, em cada tipo de atividade. Encerro: já passou da hora de as empresas deixarem de considerar os custos em prevenção como algo ruim. Os dados da Gesto mostram o quê? Que os afastamentos dão prejuízo!

 

2 Comentários

  1. Julia

    Como sempre você vai direto ao ponto. que continue diariamente falando sobre a importância da prevenção de doenças e acidentes de trabalho.

  2. Maria

    Aprender como fazer levantamento de cargas é verdade fundamental para evitar dores lombares. Ergonomia é um tema muito bem lembrado.

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