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Acidentes em frigoríficos têm nome: falta cumprir a NR 36

Os frigoríficos brasileiros precisam adequar-se à norma que trata dos procedimentos nas áreas de saúde e segurança do trabalho, em setores de abates e processamentos de carnes e derivados, assinada em 2013, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A norma regulamentadora 36 objetiva promover a prevenção e a redução de acidentes de trabalho nos estabelecimentos do País. Pela norma, os frigoríficos precisam fazer algumas adequações, principalmente de maquinário, para garantir a segurança dos empregados. Segundo os empresários, em alguns equipamentos a modificação é tão substancial que é melhor comprar um novo. Em geral, as máquinas para serem instaladas nos frigoríficos são importadas e podem demorar até dois anos para serem entregues.

O risco mais comum do setor é o acidente com ferramenta perfurocortante, que decepa mãos, dedos e partes do corpo. Daí ser essencial o treinamento no manuseio dos instrumentos para reduzir esses infortúnios.

Além de treinar, a utilização dos equipamentos de proteção individual é obrigatória. Mas, lamentavelmente, muitos acidentes graves ocorrem porque os próprios trabalhadores se descuidam. Nos grandes frigoríficos, dificilmente os empregados ficam sem os EPIs. Já nos pequenos açougues, a situação é bem mais sem controle. Esses EPIs se desgastam rapidamente e em muitos frigoríficos não há procedimento de substituição. Outro aspecto à segurança é o EPI adequado. Não adianta dar uma luva de raspa ao empregado que vai trabalhar com o couro do animal, pois ele precisa utilizar o tato, assim o correto é a luva aderente. Logo, é preciso unir treinamento, luva de boa qualidade e procedimento de reposição de EPIs desgastados.

Contra a boa gestão há também a falta de informação sobre a legislação de 2013.  O setor vem tendo dificuldade de atender todas as exigências. Mais uma vez, a apreensão do setor é com o investimento para fazer a adequação das plantas.

Entre as principais exigências da norma, destacam-se a inclusão de equipamentos de proteção, treinamentos sobre segurança e saúde no ambiente de trabalho, alterações estruturais e inclusão de programas nas linhas de produção e as pausas ergonômicas e térmicas para os trabalhadores. Muitos deles, que atuam em frigoríficos, acabam desenvolvendo distúrbios osteomusculares – tendinite, bursite e outros.

Antes da publicação da norma, o trabalhador do setor de abate tinha direito apenas a uma hora de intervalo para o almoço. Com a nova norma em vigor, o empregado passa a ter também pausas durante o expediente, de acordo com sua jornada de trabalho. Em cada caso, as horas de descanso deverão ser computadas como, de fato, trabalhadas. Também é proibido o aumento do ritmo de trabalho para compensar as pausas.

A verdade é que os itens do texto da NR 36 estão, aos poucos, forçando a tendência de mecanização em setores das indústrias, como salas de corte e evisceração, onde ocorrem tarefas que exigem maior repetição de movimentos. Os frigoríficos precisam entender que não adianta apenas ter comercial na TV, mostrando as “saborosas” carnes (para quem é vegetariana, escrever isto é quase uma heresia). O corpo inteiro dos trabalhadores vale mais do que um pedaço de carne no prato.

Por Emily Sobral

Um Comentário

  1. Claudia

    Emily, você sugeriu que aquela propaganda do Tony Ramos, da Friboy, não é exemplo de boa gestão? hahahahaha. Se não fosse triste, pois é a vida dos trabalhadores que está em jogo, seria irônico, mas é realmente fogo o poder da grana.

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