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Acidente-zero, um debate para mudar a cultura do empresário brasileiro

É lógico que a política de segurança do trabalho de toda empresa deve ser feita com medidas preventivas e que atendam às normas. Mas o que é racional pode não ser tão simples ao instalar modelos na prática, que tragam aos ambientes laborais o cenário de acidente-zero. Nas companhias, hoje, o que se vê é uma análise distorcida de que ações para a segurança e saúde do trabalho são sinônimos de aumento de despesas. “As empresas já possuem a consciência de que precisam investir em saúde e segurança do trabalho. O que os empresários precisam é de organizações que sirvam de referência. Precisam de modelos que mostrem que podem lucrar mais quando cuidam de seus colaboradores”, ensina Ricardo Patresi Quintino, engenheiro de segurança do trabalho, que faz hoje uma palestra na Associação Paulista de Recursos Humanos e de Gestores de Pessoas, em São Paulo, sobre Desenvolvimento das Competências para o Acidente Zero.

O debate técnico entre os profissionais envolvidos com SST deve ser constante e à exaustão. Assim, é possível desfazer os entraves que impedem que as empresas invistam em segurança do trabalho, sabendo que podem ganhar com isso.

Para o engenheiro, o acidente-zero é possível com a implantação de uma cultura empresarial que atua na eliminação dos acidentes do trabalho, para alcançar o aumento de produtividade e maximização de lucros. “Uma ótima maneira para melhorar a cultura de segurança nas empresas é adotar o modelo de gestão por competências, dirigido por um grupo multidisciplinar. Quando se confrontam as competências em segurança do trabalho com as que a equipe possui, é possível constatar em qual patamar de eficiência a equipe é capaz de trabalhar com segurança. Há dois caminhos a seguir: atuar individualmente na melhoria do desempenho em segurança do trabalho ou desligar o colaborador do quadro de funcionários”, informa.

Para ele, antes de tudo, a cultura do acidente-zero deve fazer parte da missão da empresa. Se na sua essência, ela não se importa com esse aspecto durante o recrutamento, atrairá empregados que também não se importarão. Nesse ponto, é possível agir diretamente na organização do trabalho, atuando muito além dos procedimentos de trabalho. É necessário aumentar o conhecimento do grupo em relação aos riscos laborais, torná-los hábeis para identificar e agir rapidamente nas situações de risco. Também, deve-se fazer acompanhamento psicológico individualmente para manter as atitudes saudáveis em relação ao trabalho.

Mas sei que há organizações com baixos índices de acidentes, que continuam tendo fatalidades e relatórios de violação de segurança. Independentemente de números ou frequência de acidentes, como conseguir uma cultura de acidente-zero, pergunto a Quintino. “É uma questão complexa, pois retrata o universo das micro e pequenas empresas. É a fração de mercado que representa 99% em quantidade de empreendimentos e 52% em quantidade de pessoas empregadas, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).Não se verifica no Brasil uma organização desses empresários ou desses empregados focada em melhoria das condições de trabalho de um determinado segmento, seja com foco em ganho de produtividade, aumento do lucro setorial ou qualidade de vida. Observa-se essa organização somente para discussão de questões salariais”, analisa.

Segundo o engenheiro, esses empresários precisam de casos bem-sucedidos na área de segurança e saúde do trabalho, que potencializaram os lucros da organização. Os trabalhadores precisam querer que a vaga que ocupam na empresa seja cobiçada por outros profissionais não só pelos ganhos, mas também pela qualidade de vida.

“É preciso agir para a valorização da empresa nacional que, segundo a Conference Board, apresenta uma produtividade média equivalente a apenas 20% da produtividade do trabalhador americano. Isso significa que o trabalhador brasileiro demora cinco dias para produzir o mesmo que o trabalhador americano faz em um dia.Trata-se de rever a cultura brasileira em relação à direção das empresas. Quando a empresa for competitiva num todo, os acidentes também serão zero.”

Por Emily Sobral

 

 

 

2 Comentários

  1. Susana Hidas

    É isso mesmo: os obstáculos técnicos e financeiros são um entrave para o avanço da saúde e segurança do trabalhador. Precisamos trabalhar dioturnamente para demolí-los. Emily, parabéns pela matéria e prometa que não vai desistir de bater sempre nessa tecla.

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