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Acidente de trânsito dá Ibobe, e do trabalho, não?

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Trabalhador morre de acidente na fábrica do Jeep (Foto Pixabay)

A grande imprensa, formada pelas mídias tradicionais como TV, rádio, jornais e revistas, assim como as contemporâneas, exemplificadas nos portais de internet, mantêm uma pauta básica e conservadora de sempre. Todos os veículos têm direito de selecionar os assuntos que consideram de interesse público. Logicamente, as informações relevantes devem fazer parte do cardápio de notícias da imprensa. Mas, digressão à parte, existe, com efeito, uma mídia que repercute exaustivamente alguns tipos de acidentes, considerando-os lamentáveis ao conjunto da sociedade, em detrimento de tragédias que não consideram relevantes.

Trato, enfim, de questionar o por quê de os pauteiros das mídias não divulgarem com mais frequência, e de forma maciça, os tristes casos de acidentes de trabalho que ocorrem diariamente. Não entendo, por exemplo, como o Jornal Nacional, da rede Globo, não trouxe em sua edição do dia 16, segunda-feira passada, a morte de um trabalhador da fábrica da Jeep, localizada em Goiana, na Região Metropolitana do Recife, vítima de um grave acidente de trabalho no setor de prensas. O funcionário de 23 anos foi atingido por uma espécie de contêiner e arremessado a metros de distância. A estrutura tinha 5 metros de altura, pesava cerca de 70 quilos e tinha a função de transportar os moldes para serem utilizados pelo equipamento de montagem. Será que essa notícia não tinha apelo midiático? Por sua vez, os acidentes de trânsito, envolvendo carros, motos, ônibus, metrôs ou caminhão são diariamente expostos aos leitores e espectadores das mídias.

Não estou aqui fazendo concurso do sinistro mais grave ou se a vida perdida num acidente de trânsito tem menos valor daquela ceifada no ambiente laboral, mas apontando uma omissão jornalística em não dar a pertinente relevância aos acidentes de trabalho que ocorrem no País.

Inclusive, as estatísticas são uma prova de que o desinteresse da mídia quanto aos infortúnios laborais é uma realidade. Veja bem, no Brasil, mais de 3,5 mil pessoas morrem por mês no trânsito, o que significa 42 mil mortes por ano. Já em relação aos acidentes de trabalho, o País contabiliza nada menos do que 700 mil por ano. Ora, esses dados levantados pela Previdência Social e pelo Ministério do Trabalho mostram a seriedade do problema, que atinge trabalhadores de várias profissões. O Brasil é a quarta nação do mundo que mais registra acidentes durante atividades laborais, atrás apenas da China, Índia e Indonésia. Segundo informações do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, em 2017, ao menos um trabalhador brasileiro morreu a cada quatro horas e meia, vítima de acidente de trabalho. Ao dar visibilidade aos acidentes de trabalho, a grande imprensa estará ajudando na divulgação do grave problema sofrido pelos empregados brasileiros.

Está na hora de os editores ‘lerem’ com mais competência as tragédias nacionais. #ficaadica.

 

 

3 Comentários

  1. Tata de Jesus

    Boa, Emily! A campanha do Abril Verde busca justamente essa conscientização da sociedade. E a imprensa precisa fazer a parte dela.

  2. Abel mosca

    Acontece Emily, que essas informações prejudicariam os empresários, e a mídia perderia em propaganda, são trocas de favores ou lobbys.

  3. Gilvan Claro

    Emily, é um assunto estremamente importante de se debater, claro que entendemos que as mídias jornalísticas não gostam de divulgar este tipo de notícia, porque perderiam dinheiro de propagandas , é o mesmo caso do rato na coca cola, um outro que faz uma mini reportagem . ” Dinheiro a raiz de todos os males” .

    Só uma dúvida, é IBOBE ou IBOPE, ou foi de propósito, para não citar empresas de pesquisa ?

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