• Extingue
    Extingue
  • Portal PatiSeg
    Portal PatiSeg

Acidente de trabalho em Brumadinho, MG. Este blog reafirma seu slogan: “segurança do trabalho: o que vale é a prevenção”, mas a Vale não pensa assim

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Região atingida pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG (Foto: Presidência divulgação)

Estou cobrindo o setor de segurança do trabalho há exatos 10 anos. De lá até hoje o que vejo são as empresas que cumprem as normas regulamentadoras de segurança ocupacional porque são obrigadas, para não serem fiscalizadas e multadas. Sim, há muitas companhias que entendem que investir em saúde e segurança de seus trabalhadores reduz afastamentos e punições. Há um estudo que mostra que para cada real que uma empresa investe em segurança do trabalho, haverá quatro de retorno. Mas, mesmo assim, há outras que não querem saber se a legislação que protege o empregado contra os riscos do ambiente existe.

O Brasil é um país incomparável para o bem e para o mal. Já, as grandes empresas mantêm um aparato de segurança do trabalho denominado Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (Sesmt), que conta com uma equipe de profissionais para avaliar os riscos e propor medidas protetivas. Então, como entender a tragédia da mineradora da Vale, em Brumadinho, em MG, que figurará como um dos maiores acidentes de trabalho da história do País? Depois de cinco dias de buscas já foram encontrados 65 corpos de trabalhadores e 279 ainda estão desaparecidos. Haja paciência com o descaso, com a falta de análise segura, com a negligência, com a ganância e com a incompetência brasileiras!

O setor de mineração é seguramente de alto risco e, o principal, é o rompimento da barragem. Segundo o doutor em política ambiental da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Bruno Milanez, em entrevista ontem ao portal UOL, “existe uma visão de mundo dentro do setor de que barragens não rompem. Eles acreditam que elas são seguras, de verdade. Se não acreditassem nisso, não colocariam o refeitório embaixo de uma [como era em Brumadinho]. Algumas pessoas passaram 20 anos almoçando e jantando lá dentro achando que ela nunca iria cair”. O doutor explicou ainda que as barragens são construídas com a técnica à montante, que é o tipo mais comum, mais barato e o menos seguro, o usado em Brumadinho. O resultado disso o mundo está vendo agora. Que fique uma lição desta tragédia: análise de risco e ações preventivas eficientes, não para acionista ver.

Agora você pode ler este post também na PATISEG, portal digital de prevenção de acidentes de trabalho, incêndio e segurança eletrônica.

3 Comentários

  1. Jacira Freistas

    Tragédia triste, lamentável e que reflete bem o nosso País, pois a vida de trabalhador está sempre em segundo plano. Quando teremos um Brasil com mais consciência e postura preventiva, afinal?

  2. Reinaldo José Soares

    Uma pergunta: os diretores e acionistas majoritários da Vale faziam suas refeições nesse restaurante? Só para saber: nenhum deles está morto ou desaparecido, né?

  3. Moacir

    A vale sabe muito bem exigir dos seus empreiteiros segurança no trabalho mas ela é a que mais precisa se submeter e atender as Nrs, Pois seus técnicos são incompetentes e não observam o seu próprio umbigo e as falhas são gritantes.
    Posso afirmar isto pois já executei duas obras em suas dependências e apontei vários erros desde o aterramento de um container para escritório, como o aterramento de um simples bebedouro metálico de agua.

Deixe uma resposta para Jacira Freistas Cancelar



This blog is kept spam free by WP-SpamFree.