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Absenteísmo em hospital é mostrado em pesquisa de enfermeiro

Pesquisa, envolvimento profissional e busca por estatísticas confiáveis são ferramentas que podem ajudar a mudar quadros desanimadores. As doenças de médicos, enfermeiros, auxiliares e todos que trabalham em serviços de saúde, com a função de tratar das doenças dos outros, resultam das más condições hospitalares e de atividade laboral, que, muitas vezes, geram sofrimento.

Quem é do campo da saúde do trabalhador sabe que a NR 32 (segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde) não foi criada ao caso. E o que fez Felipe Pereira Rocha, enfermeiro do Hospital de São Paulo? Acaba de obter o título de mestre pelo programa de pós-graduação da Fundacentro, com a pesquisa sobre absenteísmo no hospital onde trabalha. Os afastamentos por licença-médica dos profissionais de enfermagem do serviço onde Rocha trabalha foi objeto de seu estudo. “Meu interesse pelo absenteísmo-doença na enfermagem surgiu desde quando estava cursando a graduação”, diz. Para ele, a categoria, especialmente técnicos e auxiliares, se caracteriza por ser pouco valorizada em relação às outras que atuam em ambientes hospitalares.

Os desencadeadores das doenças no ambiente são muitos, como o trabalho em turnos, as condições de trabalho precárias, a má remuneração que gera a necessidade de dois ou mais empregos, a dupla jornada de trabalho, entre outros. Além dos fatores de riscos biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e, principalmente, psicossociais que estão presentes nesses locais, gerando o adoecimento precoce e, consequentemente, ausência motivada por doença. “Nesse contexto, apesar da existência de um evidente perfil de morbidade na literatura científica utilizada, ainda são poucas as medidas de SST efetivas para a prevenção do adoecimento dessa área tão importante para a manutenção da vida dos pacientes atendidos”, afirma. Quais os principais achados da pesquisa do enfermeiro? Após o cálculo do índice de frequência de licenças médicas e de frequência de trabalhadores (da International Commission on Occupational Health) e índices de absenteísmo-doença (índice de duração do absenteísmo), observou-se que os índices de frequência de licenças médicas e os de frequências de trabalhadores tiveram um decréscimo ao longo dos três anos estudados. Contudo, quando se considera o índice de duração do absenteísmo, este se mostra muito superior, indicando maior cronicidade das ausências.

“Ao levarmos em conta o setor onde ocorre o maior número de dias de afastamento, o pronto-socorro de pacientes adultos, se destaca com um total 33,67% (5.009) dias de afastamento de um total geral de 14.878 dias, quando levado em conta o restante dos setores”. Essa informação mostra o setor de pronto-socorro como o ambiente de trabalho mais responsável pelo adoecimento dos profissionais da equipe de enfermagem e médica, principalmente, os auxiliares de enfermagem. Pudera, pronto-socorro é um local da “dor e do sofrimento” físico. Quem trabalha lá “contamina-se”.

Rocha entende que a pesquisa seja útil para contribuir com o debate e o fomento de estratégias acerca da prevenção da saúde e segurança dos profissionais em ambientes hospitalares, especialmente, dos encarregados do atendimento assistencial.“Um ambiente de trabalho mais humano e digno com seus fatores de riscos controlados ou, preferencialmente, eliminados podem transformar a atividade desempenhada como fonte de saúde e não de sofrimento e adoecimento”. A base de dados foi obtida por meio de uma análise documental das informações de absenteísmo-doença disponíveis no Serviço Especializado de Engenharia e Medicina do Trabalho (SESMT) do hospital. Esses dados foram obtidos in loco e estavam em livros manuscritos. Esses livros eram (são) alimentados diariamente por três oficiais administrativos, a partir dos prontuários individuais de todos os trabalhadores atendidos pelo médico do trabalho do SESMT com o registro das seguintes variáveis: data do atendimento, categoria profissional, setor de origem, dias de afastamento, diagnóstico médico conforme a CID-10 e médico responsável, sendo essas informações obtidas após as consultas médicas.

Por Emily Sobral

 

 

3 Comentários

  1. Susana Hidas

    Muito bacana a pesquisa do enfermeiro. Parabéns para ele, pelo trabalho, e para você, Emily, pela divulgação.

  2. Katarina Saldiva

    Eu imagino que o trabalho dos enfermeiros seja mesmo muito sacrificante. Algo precisa ser feito e o estudo de Felipe já é um bom começo. Gostei do artigo, Emily.

  3. Rosi Alcantara de Oliveira

    Achei este trabalho maravilhoso, infelizmente a enfermagem ainda é muito pouco remunerada fazendo-se necessário uma dupla jornada. O trabalho da enfermagem é muito desgastante tanto físico como emocionalmente. Isso só irá mudar quando o profissional tiver um salário digno para que fique em apenas um emprego ou quando os hospitais e os conselhos de enfermagem observarem a distribuição do número de pacientes por profissional.

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