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Mergulho profissional: profundidade rasa é sinônimo de baixa segurança

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Mergulho raso é mais ariscado do que o mergulho profundo (Foto Pixabay)

Hoje, repercuto uma entrevista concedida pela enfermeira do trabalho Maíra Silva Rodrigues Dias ao site Podprevenir, sobre os riscos da profissão de mergulhador raso. Interessou-me o tema da dissertação de mestrado no curso da Fundacentro de Maíra, pois já tratei, em diversos outros posts, dos riscos das atividades dos mergulhadores profissionais, tendo como fonte Mariza D´Agostino Dias, médica intensivista e hiberbarista, e diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica (SBMH).

Durante seu estudo, Maíra avaliou as condições laborais da categoria. A pesquisadora entrevistou mergulhadores rasos de uma empresa de Santos (SP) que, segundo ela, espelham a realidade da profissão. Primeiramente, tenho que explicar a diferença entre o mergulho raso e mergulho profundo. Segundo a médica Mariza, o mergulho raso é até 40 metros e, além dessa profundidade, considera-se mergulho profundo. Já segundo a enfermeira Maíra, o mergulho raso profissional ocorre na execução de trabalhos subaquáticos com profundidade de até 50 metros, seja no mar ou em água doce. Ou seja, há uma pequena diferença de avaliação entre as duas especialistas.  Mariza reforça que a principal diferença entre o mergulho raso e mergulho profundo é que até 40 metros, o mergulhador respira ar comprimido, que é uma mistura de 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio.

“Aos 40 metros e mais, tanto o oxigênio quanto o nitrogênio tornam-se tóxicos, e o mergulhador pode até morrer se continuar respirando esse ar. A partir daí, para mergulhar são usadas misturas artificiais de nitrogênio, oxigênio e outro gás inerte que não envenena, como gás hélio. Isso torna o mergulho muito mais difícil e perigoso, porque qualquer troca inadvertida de cilindros embaixo d’água pode levar à morte por intoxicação ou por hipóxia”, explica a médica.

Já Maíra diz que o trabalho do mergulhador raso em ambiente subaquático pode ser muito hostil, pois depende da temperatura da água, correntezas, sujeiras, animais perigosos e imprevistos durante a execução da tarefa, exigindo atenção e planejamento. As principais queixas dos mergulhadores rasos entrevistados apontaram para a desvalorização da profissão. A função que não é reconhecida legalmente sofre com a ausência de ações de segurança e saúde. De acordo com a pesquisa, o sindicato dos trabalhadores das atividades subaquáticas e afins dá maior atenção ao mergulho profundo, por ser uma atividade de grande importância na exploração de petróleo e derivados.

Maíra informa que, por causa da Petrobras, o mergulho profundo é mais valorizado, sendo os profissionais muito requisitados. Com isso, esquece-se de promover ações de segurança ao mergulho raso. Esses mergulhadores trabalham em serviços que envolvem suporte técnico de pontes, manutenção em barragem, limpezas de grades, entre outras atividades.

A pesquisadora também explica que a defasagem das normas de segurança do País afeta toda a categoria. Há algumas normas da marinha brasileira e o anexo 6 da norma regulamentadora 15 (de atividades e operações insalubres), que estão defasadas e pouco utilizadas pelo segmento.

Além disso, não há fiscalização sobre essa atividade. “Qualquer um pode mergulhar, não existe curso nem qualificação, então, fica muito difícil o controle. E também há a questão da terceirização, que acaba facilitando as subnotificações de acidentes”, afirma. Segundo ela, 100% dos mergulhadores rasos são terceirizados, e muitas empresas são negligentes com os procedimentos de segurança, expondo o trabalhador a riscos desnecessários. Sobre os perigos, Maíra cita que todos os mergulhadores estão sujeitos a doenças e acidentes descompressivos, que podem afetar o movimento e até as funções vitais, entre outras sequelas. Quanto às doenças descompressivas, Mariza diz que o risco entre o mergulho raso e profundo é igual, mas raramente ocorre com os mergulhadores profissionais de mergulho profundo. “Nos mergulhos a grandes profundidades, abaixo de 100 metros, usa-se o método de saturação, em que os mergulhadores respiram misturas artificiais, mas não descomprimem, saem da água e permanecem dentro de uma câmara hiperbárica até voltar a trabalhar. As misturas gasosas artificiais são diferentes de acordo com a profundidade do mergulho”, explica.

Já na área do mergulho raso, segundo a conclusão da pesquisadora da Fundacentro, é preciso mudar as condições precárias de trabalho que agravam os riscos associados ao ambiente subaquático. “É necessária uma norma mais adequada e fiscalização, porque apesar da profundidade não ser tão grande, causa doenças, problemas mentais e sofrimento. Esses profissionais precisam de assistência”, conclui.

 

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