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Garimpeiros de Caulim: não é fácil… e muito triste a realidade insegura deles

Por Emily Sobral

Twitter: @EmilySobral       Periscope: @emiliasobral61

Extrair caulim é trabalho árduo e perigoso (Foto Pixabay)

Ao escrever sobre atividades laborais em que o trabalhador não tem carteira assinada, aquelas que não são regidas pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), acho espantoso como há pessoas que ganham seu sustento arriscando a vida. E não estou falando de dublê de filme de ação.

Na semana passada abordei o trabalho das pescadoras marisqueiras do Nordeste, que se ocupam da extração de mariscos na costa litorânea do Nordeste. Jornada de 12 horas, expostas a todo de tipo de risco. Pois bem, no País há situação laboral que pode ser ainda pior, especialmente no que consiste nos riscos aos quais estão expostas muitas categorias. Hoje, refiro-me aos homens que trabalham nas minas de caulim no sertão da Paraíba, submetidos a uma rotina exaustiva, insalubre e sem nenhuma segurança. Caulim ou caulino é um minério composto de silicatos hidratados de alumínio, e apresenta características especiais que permitem sua utilização na fabricação de papel, cerâmica e tintas.

Em geral de cor branca ou quase branca, devido ao baixo teor de ferro, o mineral é formado pela caulinita. É um dos seis minerais mais abundantes da crosta terrestre e ocorre à profundidade de até 15 metros, como se fosse um prédio de quatro andares grafado debaixo da terra. Conheci o trabalho dos garimpeiros de caulim, assistindo uma reportagem da Tv Record, que acompanhou quatro guerreiros da Paraíba, que não encontram outra maneira para sobreviver. Para chegar ao ambiente de trabalho, eles descem por um buraco, sentados numa banqueta movida a um carretel de corda ordinário para começar a extração. Durante a descida, a segurança dos trabalhadores depende exclusivamente da força do operador, que os fazem descer cerca de 15 metros de profundidade. Um horror! No escuro e com uma picareta na mão, eles começam os golpes nas paredes para extrair o minério, retirando em forma de pedras grandes e menores. Além de não haver iluminação, que eles improvisam precariamente com duas velas acesas, o ambiente é muito quente, que mais parece a antessala do inferno. A produção da jornada diária atinge em média 120 baldes, com 80 quilos cada. Não é brincadeira, não. Uma carrada de caulim com cerca de 10 mil quilos do minério é vendida por 150 reais. Segundo cooperativas de mineradoras da região, 40 garimpeiros já morreram nos últimos anos extraindo o caulim. Vale dizer que o único ‘equipamento de proteção individual’ que eles usam chama-se um saco plástico envolvendo o sapato de forma a não deixar cair o caulin dentro dos pés, pois o mineral pode cortar seus membros. Em geral, em quatro horas de trabalho, eles conseguem encher 70 tambores. Acho até dispensável citar os possíveis riscos nesse labor, não é mesmo? Mas cito dois: doenças pulmonares, por aspirarem minério sem proteção, e doenças osteomusculares, pois 80 quilos no balde, não é pouca coisa. Confesso que fiquei passada com a situação desses trabalhadores. E divulgo na esperança de que o Estado brasileiro faça algo por eles. Encerro, lembrando o que diz o engenheiro de minas, Sérgio Médice: “Garimpo não é engenharia de minas, assim como favela não é engenharia civil”.

 

4 Comentários

  1. Cris Mendes

    Emily, nunca tinha ouvido falar nessa atividade de extração de caulim. Realmente, um horror, como é possível um ser humano submeter-se a atividade tão desgastante para sobreviver? É melhor ter emprego com carteira assinada, né?

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