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Atenção, Raio-X: entrada restrita. E para quem trabalha lá dentro?

Já fiz, durante a vida, inúmeros exames de radiografia, que a gente chamava de “tirar uma chapa”. Como se vê, ao contar esse detalhe, entrego minha idade. Nos prontos socorros, por vezes, os médicos solicitavam o exame para que pudessem dar o diagnóstico sobre meus sintomas físicos. Enquanto aguardava minha vez, costumava ler na sala de espera as placas informando que grávidas devem evitar submeter-se ao Raio-X, por causa da radiação, o que pode prejudicar o bebê em formação. Ali sentada, imaginava: e se a mulher fizer o exame e não souber que está grávida? O que pode acontecer? As especulações duravam o tempo suficiente até a chegada da minha vez ao exame.

Agora, que escrevo diariamente sobre saúde e segurança do trabalho, penso um pouco mais: como deve ser a prevenção do técnico de radiologia, que todos os dias trabalha e fica exposto às radiações ionizantes, ainda que indiretamente? Finalmente, chego ao ponto da proteção radiológica dos trabalhadores, que interessa aos leitores deste blog. Inicialmente, as instituições de assistência à saúde devem informar por escrito aos técnicos de radiologia os valores de dose que, por segurança, devem ser inferiores a 20 mSV (mili Sievert) ao ano. O Sievert  é uma  unidade usada para medir o impacto da radiação sob o corpo humano.  O  prefixo micro está relacionado a uma parte por milhão (1/1.000.000). Nessa faixa de exposição radiológica, não há indicação  para proteger o trabalhador. Também os efeitos cumulativos, nessa faixa de 20 mSV, não causam consequências à saúde. Segundo a legislação, 24 horas semanais deve ser a carga horária de trabalho do técnico. A proteção mais efetiva é a distância da fonte de emissão da radiação. Um aparelho de Raios-X portátil, por exemplo, dentro de uma UTI, em uma distância de 2,5 metros do ser humano, equivale a um biombo de chumbo. As técnicas radiográficas com baixos valores de mAs (miliampère) e s (tempo) reduzem o risco de irradiação aos trabalhadores. Outra maneira de blindagem é por meio de aventais de chumbo ou biombos. O mais adequado à proteção dos técnicos é a utilização de colimadores (instrumento a laser) para a limitação do feixe de Raios-X.

Quanto aos equipamentos de proteção individual, os essenciais são os aventais de chumbo, protetores de tireoide e óculos com equivalência em chumbo. Esses EPIs fornecem uma proteção de 90% em relação à radiação dispersada. Entretanto, todos os anos, os EPIs precisam ser submetidos a teste de totalidade, com a aplicação de Raios-X. Se houver deformação na manta de proteção, o EPI deve ser substituído. A fluoroscopia é indicada para verificar o avental. Em caso de não haver esse recurso, pode-se realizar o teste com o aparelho de Raios-X convencional. Ao numerar os aventais e indicar o local em que são utilizados, a gestão de segurança fica facilitada.

Ainda quanto à prevenção dos riscos, os dosimetros termoluminescentes (TLD) devem ser usados para checar a dose recebida pelo trabalhador.

Entretanto, a prevenção dos riscos aos técnicos de radiologia chama-se treinamento. Periodicamente, as equipes devem ser atualizadas sobre os protocolos de segurança. A calibração dos equipamentos também é importante, já que reduz a repetição do exame. Com relação à ampla gama de equipamentos radiológicos, aí destaco os mamógrafos, a aplicação de testes de controle de qualidade é primordial para que se opere com baixas doses de radiação. As normas de proteção radiológica da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) trouxeram resultados positivos. Assim, ações como a obrigatoriedade de se fazer levantamentos radiométricos nas salas vizinhas às radiológicas, testes de controle de qualidade dos equipamentos, testes de radiação de fuga das ampolas de Raios-X têm possibilitado maior segurança aos trabalhadores e pacientes. Infelizmente, há ainda no País muitas clínicas ortopédicas que utilizam Raios-X, mas não mantêm condições apropriadas à segurança dos profissionais. Nestas, estou fora, não “tiro chapa” de jeito nenhum.

Por Emily Sobral

 

16 Comentários

  1. Maria

    Tirar chapa é ótimo. Acho que o que pega muito é o fato de a gente esquecer que os equipamentos de proteção precisam ser trocados depois de certo tempo.

  2. Victor

    Emily, boa tarde.

    Você comenta acima sobre a segurança do técnico de radiologia. Você sabe me dizer qual seria a distância segura para os profissionais da enfermagem ou médico, quando um técnico de radiologia precisa se deslocar para realizar um exame no leito, na maca ou na mesa de cirúrgica? Se puder me ajudar serei-lhe grato.

    1. Ronaldo TST

      Com relação a distância segura para aparelhos móveis são de 2m50cm, a essa distância não há necessidade de sair correndo da sala quando o técnico grita “Raio X!!”.

  3. Sandra Pozzobom

    Gostaria de esclarecer uma dúvida, em frente a minha sala, é a sala onde é realizado os exames de raio x, o tecnico que faz os exames, não fecha a porta, são vários exames durante uma manhã, e todos realizados com a porta aberta, tem algum risco a minha saude?

  4. Tânia Cantuária

    Oiiiii Sandra boa noite , trabalho como técnica em raiox , com certeza há risco durante um exame de raiox a porta fica aberta.pois é muita irresponsabilidade do técnico

  5. ALCILENE MONTEIRO LIMA

    Como técnica relator tantas leis não servem pra nada no serviço público. Neste quem manda são cargos políticos e estes agem de forma arbitraria, quem se nega a realizar exames, mesmo não tendo o mínimo de proteção é devolvido pra relotação. E execrado publicamente.

  6. Renata

    Boa noite!!
    Olá! Meu nome é Renata vou fazer o curso de radiologia,mas faz 8 anos que sofri uma acidente e hoje uso Pino e placar no corpo. SERÁ QUE EU POSSO FAZER O CURSO? Ser tem algum rico..

  7. Wal Duarte

    quantos metros de distancia tem ficar do aparelho de raio x quando esta em uso quando as paredes nao sao chumbadas e nao tem epis

  8. Geovana ferreira

    Oiii meu nome e geovana e
    Vou fazer o curso de radiologio mas quero saber se ja que um tecnico de radiologia fica muito esposto a radiação isso faz com que essa pessoa fique com dificuldades para engravidar

  9. osvaldo

    Trabalho em um consultório odontológico com aparelho de raio-x portátil odontológico e os profissionais que trabalham recebem periculosidade. Para que um perito faça a medição da quantidade de raio-x que estamos expostos como ele deve proceder??Os funcionários teriam de usar dosímetro para medir esses raios por quanto tempo??

  10. Márcio

    Bom dia, li as respostas acima sobre o risco de radiação ionizante. Então vou responder no intuito de ajudar a prevenção. Hoje atuado como Técnico em Segurança do Trabalho, mas fui Técnicom em Radiologia médica convencional e professor de Técnicas radiologicas e de posicionamento em escola Técnica do segmento. Vamos lá: As medidas de prevenção são as seguintes: O técnico deve saber se fou profissional consciente que se deve fechar o colimador o necessário ( para evitar radiações secundarias) , aproximar o tubo o mais proximo ( com isso usa-se uma tecnica menor, usar os epis: avental, colar, luvas e oculos ) , ficar fora do acançe dos raios x, monitorar atraves de exame medico periodico de sangue , usar dosimetro, caso o paciente seja do sexo feminino, perguntar antes e caso sim, usar avental de chumbo plumbifero sobre o abdomen da gestante.Valendo lembrar que o avental apos o uso deve ser guardado num cabide apropriado evitando que se dobre para nao romper a proteçao do mesmo. DICA : SE VC QUER SABE SE O AVENTAL ESTA EM CONFORMIDADE?,…COLOQUE UM CHASSIS NA GAVETA OU NÃO E DISPARE UMA RAIOS X CONTRA O AVENTAL E REVELE A PELICULA , CASO A EMULSAO DO FILME SAIA TOTALMENTE É PORQUE O AVENTA ESTA EM CONFORMIDADE. Espero ter ajudado. Obrigado

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